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Sou simples, honesto, sincero, dedicado, carinhoso, compreensível e de muita fé em DEUS. Sou católico, Professor formado em Educação Infantil, pelo curso de formação de docentes do C.E.P.E.M (Colégio Estadual Padre Eduardo Michelis) de Missal - PR, formado em Geografia (licenciatura) pela UNIGUAÇU – FAESI, e Pós - Graduado em Educação Especial e Inclusiva.

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sábado, 26 de novembro de 2011

Resumo do Livro Espaço Urbano


Nome: Anderson José Bender, 4 Período de Geografia
Resumo “O Espaço Urbano”

Considera-se a cidade como espaço urbano que pode ser analisado como um conjunto de pontos, linhas e áreas ou ainda considerá-lo como forma espacial em suas conexões com estrutura social, com processos e funções urbanas.

Mas o que vem a ser o Espaço Urbano? É um conjunto de diferentes espaços aglomerados entre si como: o centro da cidade, local de concentração de atividades comerciais, de serviço e de gestão; áreas industriais e áreas residenciais, distintas em termos de forma e conteúdo social; áreas de lazer; e, entre outras, aquelas de reserva para futura expansão.

Quem produz o Espaço Urbano? O Espaço Urbano é Produzido através de vários agentes sociais, como os proprietários dos meios de produção, sobretudo os grandes industriais; Os proprietários fundiários; Os promotores imobiliários; O Estado; E os grupos sociais excluídos.

A cidade possui estratégias e ações que desempenham um processo como os grandes proprietários industriais e as grandes empresas comerciais que são grandes consumidores de espaço e assim necessitam de terrenos amplos e baratos que satisfaçam suas atividades

A especulação fundiária tem duplo efeito. De um lado onera os custos de expansão na medida em que esta pressupõe terrenos amplos e baratos. Do outro, o aumento do preço dos imóveis, resultante do aumento do preço da terra, atinge os salários da força de trabalho.

O desenvolvimento das contradições entre capital e trabalho, a aquisição de terras pela própria burguesia  entre outros fatores, fez com que os conflitos entre proprietários industriais e fundiários não mais constituem algo absoluto como no passado.

Os proprietários de terras atuam no sentido de obterem a maior renda fundiária de suas propriedades, interessando-se em que estas tenham o uso mais remunerador possível, especialmente uso comercial ou residencial de status. Assim Alguns dos proprietários fundiários, os mais poderosos, poderão até mesmo ter suas terras valorizadas através do investimento público em infraestrutura. Com isso tudo a demanda de terras e habitações depende do aparecimento de novas camadas sociais, que tenham rendas capacitadas a participar do mercado de terras e habitações. Como se trata de uma demanda solvável, é possível aos proprietários tornar-se também promotores imobiliários; loteiam, vendem e constroem casas de luxo. E com isso os bairros fisicamente periféricos não são mais percebidos como estando localizados na periferia urbana, pois afinal de contas bairros de status não são socialmente periféricos.


Nesse contexto também temos que analisar os promotores imobiliários, que realizam, parcialmente ou totalmente, as seguintes operações: incorporação; financiamento; estudo técnico; construção ou produção física do imóvel; e comercialização ou transformação do capital-mercadoria em capital-dinheiro, agora acrescido de lucro. Há também o Estado que atua na organização espacial da cidade como: direito de desapropriação e precedência na compra de terras; regulamentação do uso do solo; controle de limitação dos preços das terras; limitação da superfície da terra de que cada um pode se apropriar; impostos fundiários e imobiliários que podem variar segundo a dimensão do imóvel, uso da terra e localização; taxação de terrenos livres, levando a uma utilização mais completa do espaço urbano; mobilização de reservas fundiárias públicas, afetando o preço da terra e orientando espacialmente a ocupação do espaço; investimento público na produção do espaço, através de obras de drenagem, desmontes, aterros, e implantação de infra-estrutura; organização de mecanismos de créditos à habitação; e pesquisas, operações-testes como materiais e procedimento de construção, bem como o controle de produção e do mercado deste material.

Finalizando temos os grupos sociais excluídos são aqueles que não possuem renda para pagar o aluguel de uma habitação digna e muito menos para comprar um imóvel restando no entanto como moradia, cortiços, sistemas de autoconstrução, conjuntos habitacionais fornecidos pelo agente estatal e as degradantes favelas.

Processos e Formas Espaciais

As grandes cidades acabam de certa forma sendo lugares privilegiados, pois, acaba ocorrendo uma série de processos sociais, entre os quais há acumulação de capital e a reprodução social, ou seja, criam atividades e suas materializações, cuja distribuição espacial constitui a própria organização espacial urbana.

Os processos espaciais e as respectivas formas são a Centralização e área central que constitui-se no foco principal não apenas da cidade, mas também de sua hinterlândia; a Descentralização e os núcleos secundários que aparecem como uma medida das empresas visando eliminar as deseconomias geradas pela excessiva centralização da área central; Coesão e as áreas especializadas é definido como aquele movimento que leva as atividades a se localizarem juntas, é sinônimo de economias externas de aglomeração; Segregação e as áreas sociais é definido como sendo uma concentração de tipos de população dentro de um lado do território; Dinâmica social da segregação envolve espaço e tempo. Este processo de fazer e refazer pode ser rápido ou lento: como uma fotografia, um padrão espacial pode permanecer por um longo período de tempo; ou mudar rapidamente e a Inércia e as áreas cristalizadas atua na organização espacial intraurbana através da permanência de certos usos e certos locais, apesar de terem cessado as causas que no passado justificaram a localização deles. 
  
Resumo do livro O Espaço Urbano, de Roberto Lobato Corrêa (Editora Ática, Série Princípios, 3a. edição, n.174, 1995

Desafios para a gestão das águas

Anderson José Bender 4º Período de Geografia
Disciplina de Pratica de Ensino e Educação Ambiental
Professora Beloni Celso

DESAFIOS PARA A GESTÃO DAS ÁGUAS

Os avanços tecnológicos têm proporcionado novas formas de captação, tratamento, aproveitamento e distribuição dos recursos hídricos, mas não tem sido capazes de conter o acesso desigual à água e a crescente poluição hídrica. No que diz respeito ao consumo de água, países mais industrializados são os que mais consomem água. Já nas cidades o consumo também é grande, nos EUA cada residência gasta em média 400 Litros de água/dia, no Brasil essa média fica em 260 litros e no norte da África essa média fica em 15 litros/dia.

A causa maior deste cenário é a correlação intrínseca entre a disponibilidade hídrica e o aumento da demanda por água. Levantamentos realizados pela Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas indicam que um terço da população mundial já vive em regiões de moderado a alto estresse hídrico.

Outro fator preocupante é que há desigualdade no abastecimento de água tratada e com isso, algumas das pessoas mais pobres do mundo como ás que vivem em favelas de Gana e Filipinas, pagam mais pela aquisição da água que aquelas que vivem em Londres ou Nova York. E são ás mulheres desse grupo ás maiores prejudicadas, pois cabe a elas recolher e transportar água para a família, diminuindo o tempo dedicado à educação, o que contribui para a desigualdade de gênero.

Segundo dados do PNDU, a população mundial crescerá em cerca de 80 milhões de pessoas/ano, alcançando em 2050 a quantia aproximada de 9 Bilhões de pessoas. O crescimento populacional será acompanhado de uma rápida urbanização e, nesta data, cerca de dois terços da população mundial viverão em cidades. Baseado nisso e considerando as atuais práticas de manejo, o desperdício e a degradação ambiental, é possível que em pouco tempo haja um colapso nas reservas de água potável do planeta.

GUERRA PELA ÁGUA, ÁGUA PARA A PAZ

A escassez de água, que tende a se agravar num futuro não muito distante, está ligada a vários fatores, dentre os quais se destacam o crescimento da população mundial, a distribuição irregular, o decréscimo causado pelo desmatamento e o declínio da qualidade devido à poluição dos aqüíferos.

Esses fatores quase levaram a falência rios ao longo dos quais se desenvolveram civilizações milenares. Há algumas décadas os rios, Amarelo e Ganges vêm perdendo vazão, pois suas águas são muito utilizadas indiscriminadamente no meio do percurso. Esse problema também está se generalizando ao redor do mundo onde cerca de 200 sistemas fluviais que banham dois ou mais países apresentaram vazão decrescente. Por isso, a água está cada vez mais associada a conflitos entre países e até mesmo entre regiões de um mesmo país. Isso se pode agravar mais ainda nos próximos anos quando a população deverá chegar em 2025, próximo aos 8 bilhões de pessoas.

BRASIL, UM PAÍS PRIVELIGIADO?

O Brasil possui grande disponibilidade hídrica, em torno de 12% da água doce do mundo, só o Rio Amazonas possui uma vazão aproximada de 210.000 m³ por segundo, valor superior à soma das vazões dos nove maiores rios do planeta, correspondente a 15% da água doce que deságua no oceano; algumas das quedas de água como a extinta sete quedas que ficava no Rio Paraná era de proporção gigantesca e conseqüentemente considerada a maior do mundo em vazão de água com aproximadamente 13.301.000 m³ de água por segundo. Atualmente ainda podemos considerar grandes quedas a de Paulo Afonso que fica no Rio São Francisco com 2.830.000 m³ por segundo e Urubupunga no Rio Paraná com 2.745.000 m³ por segundo. E para complementar os grandes volumes de água doce do Brasil, temos a Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul com uma área de 10.144 km².

Enquanto o Japão possui apenas 1% da água utilizável do planeta e 2,8% da população mundial, o Brasil detém 2,5% da população e mais de 12% da disponibilidade hídrica. No entanto a distribuição das águas é bastante desigual no território brasileiro. Enquanto a Amazônia detém 40% das reservas brasileiras de água, a região sudeste possui apenas 6%.

Devido ao rápido aumento populacional, somente nos últimos 40 anos, o Brasil teve reduzido em 50% a disponibilidade de água por habitante. A urbanização acelerada, juntamente com o processo de industrialização e a adoção de um modelo de agricultura que privilegia a monocultura irrigada, tem gerado perdas significativas desse bem natural a água. Aliam-se a esse processo ainda as deficiências em saneamento básico e coleta de esgoto que estão ausentes em aproximadamente 51% dos lares brasileiros o que diretamente acaba contribuindo para a contaminação da água potável. O que agrava mais ainda a situação é que dos 49% de esgotos coletados apenas 15% recebem tratamento adequado o restante é lançado em rios e riachos.

A falta de cuidado e de compromisso com a gestão do solo e com o reflorestamento tem afetado a disponibilidade da água para atender a todos os usos requisitados pela sociedade. Dessa forma, os conflitos entre atividades que demandam o mesmo recurso já são uma realidade no Brasil. Não se referem apenas a questões locais, estendem-se também à relação com os países vizinhos. Exemplo disso são os agrotóxicos lançados nas lavouras brasileiras que tem comprometido as águas do Pantanal mato-grossense, e como as águas e rios desconhecem as fronteiras nacionais, essa poluição tem colocado em risco a sobrevivência das populações ribeirinhas paraguaias.

O resultado desse quadro é apresentado em um estudo do IBGE, onde são apontados que 19% dos 9.848 distritos brasileiros abastecidos têm que racionar água em algum momento do ano, seja pela seca/estiagem ou devido ao alto nível de poluição. Com isso demonstra – se que mesmo tendo grande disponibilidade de água, nossa má gestão nos coloca em posição vulnerável igual a dos países onde esse bem já é bastante escasso.

CONCLUSÃO
O desperdício de água no Brasil é algo assustador e a maneira como vem sendo tratado muitos rios e lagos também assusta. Ao lermos o texto nos são apontados números a nível de Brasil que poderiam nos deixar tranqüilos em relação à falta de água. No entanto, segundo o autor, o fato não é pensarmos na falta do liquido água e sim, na qualidade do mesmo. Não adianta termos milhares de litros de água e não podermos beber sequer um devido ao alto índice de componentes tóxicos encontrados dentro da água.
A preocupação mencionada no texto é correta, e pode-se dizer, analisando o ponto de vista do autor que se não forem tomadas medidas que possam diminuir o processo de poluição e desperdício, estaremos muito em breve pagando pelo litro de água mais do que por um litro de combustível, o que já é fato consumado em muitos países.
Uma das saídas mais coerentes para se resolver o problema da água de forma mais sustentável, principalmente nas cidades seria o de canalizar duas redes de água, uma somente para o consumo humano (beber e higiene pessoal) e a outra, para o uso de limpeza (Lavação de roupas, pisos em geral). Isso tudo através de uma forma controlável e fiscalizada, onde deveriam ser aplicadas multas e represálias para quem não cumprisse com as normas de uso da água.   E outra maneira seria o de canalizar e tratar em 100% os esgotos nos lares brasileiros alem de preservam melhor as nascentes dos rios e ainda preservar de forma correta suas encostas.

Plano de Aula para o Ensino Fundamental (9º ano)

UNIGUAÇU – UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DO IGUAÇU LTDA.
FAESI – FACULDADE DE ENSINO SUPERIO DE SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
ISE – INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO
CURSO DE GEOGRAFIA QUARTO PERÍODO
Pratica de Ensino e Educação Ambiental


PLANO DE AULA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
 PARA O ENSINO FUNDAMENTAL



ANDERSON AMBROZINE
ANDERSON JOSÉ BENDER


Trabalho de graduação apresentado à disciplina de Prática de Ensino e Educação Ambiental da Faculdade de Ensino Superior de São Miguel do Iguaçu, sob orientação da Professora Beloni Celso.



SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
2011



PLANO DE AULA, EDUCAÇÃO AMBIENTAL.
Tema:
Conservação da Água

Conteúdo específico:
Educação Ambiental

Turma:
Ensino fundamental (9º ano)

Duração da aula:
 06 aulas (50 minutos cada)

Objetivo:
Despertar a consciência da preservação da água, desenvolvendo hábitos que possam trazer uma conscientização mais aprofundada em relação à conservação da mesma.

Desenvolvimento:
1º Passo: A primeira aula será iniciada com um texto informativo, sobre a importância da água. Em seguida, os alunos serão abordados com perguntas como: quais são as principais finalidades da água em nossa vida e para o planeta? Após ouvir as respostas de alguns dos alunos, analisar e debater por um momento, em seguida, questiona – los novamente pedindo – lhes: o que está acontecendo com esse recurso natural, que é fundamental para a sobrevivência dos seres vivos?
Na segunda aula serão mostradas imagens da situação que estão nossos rios, nascentes e mares. Posteriormente apresentar e expor atitudes que possam acontecer para se reverter essa situação, como mudanças de hábitos, conscientização, cuidados etc.
2º Passo: Na terceira e quarta aula, os alunos serão levados até um córrego no município, para analisar, anotar no caderno e fotografar a situação que o mesmo se encontra, observando sua encosta, verificando se há ou não lixo nas proximidades e qual o tipo do lixo encontrado, de onde ele vem, quem o produz e o porquê ele se encontra naquele local.
3º Passo: Na quinta e sexta aula, será formado um circulo, para debater o que foi visto no córrego. Na sequência, construir cartazes informativos para orientar a escola e a comunidade sobre o dever que todos devem ter na preservação da água e o lugar certo de colocar o lixo.

Recursos:
Televisão pen-drive, DVD ou computador com data show (se houver), câmera digital, cartolina, pincéis, revistas, fotos e um ônibus cedido pela prefeitura.

Avaliação:
A avaliação será realizada em três etapas: a primeira delas será feita no decorrer das aulas, observando o comportamento e interesse dos alunos. A segunda será feita nas ultima aulas, quando será organizado um círculo em sala de aula para debater com os alunos os pontos positivos da atividade. Nessa conversa, poderá ser visto e analisado quem entendeu a importância e a conscientização para se preservar a água. E a terceira será a observação da montagem dos cartazes.

domingo, 6 de novembro de 2011

Resumo de Artigos sobre o MST, História, Política e Filosofia do MST

 UNIGUAÇU – UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DO IGUAÇU LTDA
 FAESI – FACULDADE DE ENSINO SUPERIO DE SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
ISE – INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO
CURSO DE GEOGRAFIA QUARTO PERÍODO
Geografia Agrária




ANDERSON JOSÉ BENDER





RESUMO DOS ARTIGOS SOBRE O MST


Trabalho de graduação apresentado a disciplina de 
Geografia Agrária da Faculdade de Ensino Superior de 
São Miguel do Iguaçu, sob orientação do Professor: 
Ma. Stefan Huppe







SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
2011








SUMÁRIO




RESUMO
1. INTRODUÇÃO
2. SEM-TERRA: OS SENTIDOS E AS TRANSFORMAÇÕES DE UMA CATEGORIA DE AÇÃO COLETIVA NO BRASIL
2.1 História e Surgimento dos movimentos e do MST
2.2 Os movimentos Sem terras nas vésperas do golpe
2.3 Os sem terras e a mudança de governo, ações coletivas em perspectiva interdependente
2.4 O MST na década de 1990/2000: Cruzando o país
3. AÇÃO POLÍTICA DO MST
3.1 O MST e o Governo
3.2 O MST e a Imprensa
3.3 O MST e o Congresso
3.4 O MST e a Igreja
3.5 O MST e a opinião política
4. MST ESCOLA DA VIDA EM MOVIMENTO
4.1 Sujeitos em movimento, um discurso de ação
4.2 Uma forma de vida
4.3 A Amizade no MST
4.4 Formação e sofrimento
5. CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS





RESUMO


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra constitui um senso comum que se espalha por meios de comunicação. E desde os primórdios do século XIX vem se apresentando conflitos pelo direito a um pedaço de terra para viver. O tempo passa e as filosofias dos movimentos vão evoluindo e ao encontrarem apoio nas lideranças ganham forças para buscar novos objetivos e conquistas num espaço político importante no quadro nacional e assim, vão se formando grupos cada vez mais fortes como é o caso do MST.
Mesmo o governo nem sempre sendo favorável ao movimento, sua persistência cria uma política social que consegue alguns resultados positivos, e a sua principal arma, até agora, tem sido a pressão exercida por meio das ocupações. Sua política marxista chama a atenção e ganha apoio de outras entidades como a igreja, parte da mídia e do senado, principalmente a parte da oposição causando certa admiração do governo. O MST possui uma trajetória formativa e tem o poder de juntar e de formar um discurso que levam o povo sofrido a juntar-se ao grupo e assim formar uma grande família que acabam buscando seus direitos, lutando pela vida e pela sobrevivência.

PALAVRAS – CHAVE: Trabalhadores; Movimentos; MST; Rurais; Marxista; Grupo; União.

1. INTRODUÇÃO


       Desde o século passado vemos a nossa nação enfrentado problemas relacionados a terra. E datam do final do século XIX início do século XX o início da união de grupos que visam o direito a um pedaço de chão para cultivarem o seu sustento. Tal fato ganha grande relevância a partir da década de 1950 quando às ações coletivas começam a formar grupos mais fortes para aproveitar e conquistar terras muitas vezes improdutivas e conseqüentemente abandonadas.
       Como tudo encontra barreiras para seguir em frente os grupos não obtiveram muito êxito e barraram ou simplesmente “fracassaram” na época da ditadura militar. Mas como a persistência é mais forte ao final do governo militar eis que surge um grupo com uma filosofia marxista que promete uma revolução no direito pela terra dentro do contexto da reforma agrária, um grupo que atende pelo nome de MST.
       Neste resumo procuraremos repassar as principais etapas desde o surgimento ate a atualidade, passando pela história, política e filosofia desse grupo social que vem ocupando um grande destaque na sociedade brasileira. Para tanto o resumo encontra-se dividido em três partes retiradas de três artigos. Na primeira será abordado o tema histórico dos movimentos sociais, os sentidos e as transformações de uma categoria de ação coletiva no Brasil, subdivido na história e surgimento, passando pelos movimentos que se organizaram as vésperas do golpe militar, e que resistiram a mudança de governo com suas ações coletivas formando uma perspectiva interdependente que seguem atravessando o país se destacando nas décadas de 1990 e 2000.  Na segunda parte será abordada Ação política do MST com políticas subdivididas no Governo, imprensa, Congresso, Igreja e na opinião política. E por fim, a terceira parte que trata sobre, MST Escola da vida em movimento que aborda a experiência vivida dentro de acampamento. O assunto ainda subdivide a análise sobre os sujeitos em movimento, um discurso de ação que trata da questão sobre as utopias e o desdobrar de lutas cada vez mais profundas contra os arranjos sociais, e ainda, baseia-se em uma forma de vida e amizade no MST onde se aprofunda a união do grupo e o caráter para superar as dificuldades na Formação e sofrimento.



2. SEM-TERRA: OS SENTIDOS E AS TRANSFORMAÇÕES DE UMA CATEGORIA DE AÇÃO COLETIVA NO BRASIL
       O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST constitui um senso comum que se espalha por meios de comunicação e que não reflete exatamente o auge de grupos organizados no Brasil que reivindicam a representação dessa categoria social. No entanto esse grupo busca direitos de sobrevivência na humildade e na perseverança de um povo sofrido e batalhador. Apesar disso, não se pode desconhecer que foi este movimento que consagrou a categoria social “sem-terra” como uma forma social de reconhecimento público ao ocupar não apenas fazendas consideradas improdutivas, mas também prédios e espaços públicos em quase todo o país. A importância e o volume de suas ações contribuem para que o interesse sociológico acerca das suas formas de mobilização e de ação coletiva seja também vultoso.

2.1 História e Surgimento dos movimentos e do MST
       O conflito pelas terras é um problema que vem se destacando a mais de um século no Brasil. A Lei de Terras de 1850, ao estabelecer a compra e venda como forma padrão de aquisição da propriedade fundiária se limitou fortemente à usucapião que foi a estrutura agrária desigual herdada dos tempos coloniais. É desse marco legislativo que se valem os historiadores para dividir a história dos conflitos agrários no Brasil independente, a partir de 1850, em duas fases distintas: A primeira fase, que iria de 1850 até 1940, é classificada como "messiânica", pois estas lutas estavam associadas à presença de líderes religiosos de origem popular, que pregavam ideologias de cunho milenarista, associados à mitologia relativa ao retorno de Dom Sebastião e ligados ao catolicismo popular. A segunda fase da luta pela terra no Brasil é definida como "lutas radicais localizadas" e que se desenvolvem de 1940 até 1955. Nesta fase ocorreram diversos conflitos e revoltas populares relacionadas as terras, em diversos lugares do Brasil, em lutas não mais de cunho messiânico, mas agora com demandas sociais e políticas claramente definidas como tais.
       O tempo foi passando e de certa forma evoluindo, não se tinha mais grupos que lutavam por terra, mas sim, movimentos organizados que passaram a ser um pouco mais pacíficos e de certa forma mais organizados. No entanto o início dos anos sessenta mostra-se ainda como um período crucial para pensarmos questões relativas ao binômio, terra e política no Brasil. Ligas Camponesas, sindicatos de trabalhadores rurais e o Movimento dos Agricultores foram sem dúvida as principais manifestações públicas daquela onda, porém,  falta de maior investimento sobre a história desses movimentos conduz uma dicotomia interpretativa para se refletir como os "sem-terra" de outrora se ligariam aos sem-terra de hoje, emblemados pelas bandeiras do MST.

2.2 Os movimentos Sem terras nas vésperas do golpe
       No início da década de 1960, foi fundado pelo prefeito da cidade de Encruzilhada do Sul RS um grupo de sem terras mais organizados, com o nome de MASTER (Movimento dos Agricultores Sem Terra). “Isso se deu no momento em que um fazendeiro de um grupo político opositor tentava expulsar da terra agricultores, alegando ser ele o verdadeiro dono da terra. Não se tem notícia de nenhum tipo de ação coletiva que tenha sido realizada para garantir a posse daquelas terras, sabe-se apenas que houve a formação do movimento”.
       Não se há notícia de nenhuma outra mobilização ou ação pública desse movimento até 1962, quando começaram as invasões, mais precisamente no dia 11 de janeiro do mesmo ano, quando centenas de pessoas montaram um acampamento com barracos de madeira e barracas de lona de caminhão às margens da rodovia que liga os municípios de Passo Fundo e Ronda Alta. Na época a Fazenda Sarandi, foi o foco da invasão, pois era uma propriedade de um grupo uruguaio que utilizava apenas uma pequena parte dela para exploração de madeira.

2.3 Os sem terras e a mudança de governo, ações coletivas em perspectiva interdependente.
       A categoria "sem-terra" e as políticas públicas voltadas especificamente para ela se encerraram com o fim do governo de Leonel Brizola, ou seja, quando se desestrutura a figuração formada nos primeiros anos da década de 1960.
       Com a mudança de governo, os acampamentos liderados pelo MASTER foram reprimidos e, após o golpe militar de 1964, seus principais organizadores foram presos ou fugiram do país. Apesar disso, permaneceram naquela região centenas de pessoas cadastradas como agricultores sem-terra. No entanto a categoria praticamente desaparece da vida social e das políticas de Estado, que irão privilegiar daí por diante, o tema da "colonização”. “Mesmo que tenham ocorrido acampamentos durante o governo seguinte, seus resultados foram nulos em termos de novos assentamentos”.
       Após anos de espera e lutas perdidas sem muito sucesso um novo grupo tenta restaurar a força dos movimentos. No final da ditadura militar no período de transição surgiu oficialmente em Cascavel no Estado do Paraná o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para poder sair do papel sua formação obteve grande numero de reuniões acompanhadas de vários movimentos populares de luta pela terra. E em janeiro de 1984 o movimento se torna oficial.
        Atualmente, o movimento está presente em 23 dos 26 Estados da federação. Faz-se necessário lembrar, também, que o MST não é o único movimento de luta pela reforma agrária. Existem atualmente dezenas de outros movimentos, por exemplo: o MAST (Movimento dos Agricultores Sem Terra), ligado à Social Democracia Sindical, o MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), ligado a segmentos da esquerda, e o MUST (Movimento Unido dos Sem Terra), ligado à Força Sindical.

2.4 O MST na década de 1990/2000: Cruzando o país
       O MST cresceu muito nos últimos anos e como já foi dito está presente em 23 dos 26 Estados da federação. “Porém ele é responsável por apenas um terço das ocupações de terras realizadas no Brasil o restante está dividido nos outros movimentos citados anteriormente, mesmo assim seu poder de força é muito grande e é o que mais tem destaque na mídia e no contexto geral da nação brasileira”.
       “Seu maior foco de ocupação de terras está estabelecido no estado do Pernambuco onde o MST se estabeleceu na década de 1990. O caso pernambucano revelou também uma proliferação de outros movimentos de sem-terra. Por volta de 2003, haviam sido contabilizados pelo INCRA regional 14 movimentos diferentes que organizavam ocupações e reivindicavam desapropriações de terra”.
Alguns desses movimentos, como o Movimento dos Trabalhadores Brasileiros Sem-Terra (MTBST) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais e Urbanos do Brasil (MTRUB), contribuíram para que fossem trazidos ao debate novos elementos sobre o sentido das mobilizações do MST.

3. AÇÃO POLÍTICA DO MST

       O MST conquistou um espaço político importante no quadro público atual, contrariando toda uma suposta tradição do povo brasileiro. Com humildade se infiltrou de forma inteligente no coração da política nacional conquistando respeito e admiração não só de grandes autoridades nacionais como também internacionais. Isso tudo derivado da determinação de um grupo coletivo que sofre preconceitos e represarias, mas que nem por isso desiste, e assim consegue se organizar, ter força política e desafiar os poderes constituídos.

3.1 O MST e o Governo
       “O governo brasileiro considera o MST um grupo que atua de forma política e que conquistou um espaço político importante no quadro público atual”. Mas quando prestamos bem atenção na leitura cotidiana dos noticiários podemos perceber que na verdade o MST é o maior adversário do governo.
       “Para se ter uma idéia da força política conquistada pelo MST durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, basta verificar a evolução da atenção que o governo federal tem dispensado ao movimento. Em 1994, ainda no governo de Itamar Franco, a Folha de S.Paulo informava que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) não sabia quantas invasões tinham sido efetivadas nos anos anteriores (Folha de S.Paulo, 05/04/94). Cinco anos mais tarde, as informações sobre o MST passaram a ser sistematicamente compiladas ao Gabinete de Segurança Institucional. Faz-se necessário ressaltar que dois acontecimentos importantes obrigaram o governo a dedicar maior atenção ao MST: o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, e a Marcha a Brasília, realizada de fevereiro a abril de 1997.
       “A postura do governo diante do MST mudou após o massacre de Eldorado dos Carajás. Percebeu-se a necessidade de coordenar melhor as ações para poder enfrentar o movimento e adotar uma linha mais dura com objetivo de impedir às invasões de sedes do INCRA e a ocupação de fazendas”.
“Durante a Marcha para Brasília foram convocados 900 homens do exército distribuídos em 12 agências regionais de inteligência, e ainda passaram a produzir um relatório durante os dois meses de duração da marcha do MST”.
       Mesmo com toda essa organização, o governo subestimou a capacidade do MST de realizar uma marcha de dois meses até Brasília. "Até a chegada da marcha, o Planalto achava que a questão da terra tinha sido artificialmente inflada pelo massacre de Eldorado dos Carajás e pela novela O Rei do Gado. ‘Mesmo quando as pesquisas de opinião informavam que 80% da população queriam a reforma agrária, o governo sentou-se à mesa para conversar’. (Veja, 23/04/97)”.
       “Os encontros entre o Presidente da República e representantes do MST também são importantes, pois é a partir deles que tanto o governo quanto o movimento se reconhecem mutuamente como interlocutores políticos, pois, o MST precisa do governo, da mesma forma que o governo não pode ignorar o MST”.
       “O governo até pode desapropriar terras, conceder indenizações, garantir crédito aos assentados, estabelecer uma política agrária e executá-la, porém, sem a presença do MST, o número de mortes no campo seria, provavelmente, muito maior. A morte de um militante do MST é muito mais constrangedora para o governo do que o assassinato de um trabalhador rural não pertencente ao movimento”.
       O MST consegue alguns resultados positivos, e a sua principal arma, até agora, tem sido a pressão exercida por meio das ocupações, que acaba se tornando a razão principal do seu crescimento. “Isso pode ser explicado melhor quando observamos a sua habilidade em construir ciclos e mantê-los sempre ligados à organização do movimento, de modo que eles se reforcem mutuamente”.

3.2 O MST e a Imprensa
       “Não é preciso ser um observador muito atento para constatar que, quando o assunto é sem-terra, há consenso dos meios de comunicação a favor do governo. Acreditamos ser possível limitar a investigação à imprensa escrita a partir da análise dos editoriais. Pode-se ter uma boa idéia do posicionamento de cada jornal diante das questões, a pauta diária do noticiário dos órgãos de rádio e televisão pode ser sempre influenciada pelas matérias veiculadas na imprensa. A presença do MST nos editoriais dos jornais mais importantes do país já constitui uma prova bastante conclusiva da sua relevância como ator político na cena nacional”, como pode observar na publicação do Jornal o Estado de São Paulo (03/11/95): (...) ‘O Movimento dos Sem-Terra é hoje um ator de primeira grandeza na cena política quer pelo assentamento legal dos invasores’
       Numa tentativa de quantificar a presença do MST Alguns editoriais tratam da reforma agrária ou da situação de agricultores sem-terra, mas não se referem diretamente ao MST. “Baseado nisso a CUT promove ações de solidariedade ao MST e realiza manifestações conjuntas com o movimento dos sem-terra. O fato mais significativo realizado pela CUT foi durante o mês de junho de 2000 quando a mesma promoveu 13 invasões em fazendas do Mato Grosso do Sul”.
       “A CONTAG, por sua vez, também resolveu adotar uma linha de ação mais agressiva, e vem promovendo a ocupação de propriedades rurais, a exemplo do MST. O Jornal do Brasil (24/04/99) cita o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso:” ‘Desde que a CONTAG se filiou à CUT, ela entrou na estratégia da violência, no sentido de praticar a invasão de terras’.
       “O que o general, no entanto esconde, e o jornal não menciona, contudo, é que o próprio governo incentiva a rivalidade entre as organizações que lutam pela reforma agrária, com o objetivo de diminuir a força do MST”.
       Porém o MST se mantém firme na “briga” e sempre organiza manifestações de massa, sejam elas marchas, acampamentos ou ocupações que acabam sendo a melhor maneira de evitar a repressão aos manifestantes. “É claro que cada passo sempre leva em conta o apelo jornalístico, e os estrategistas do MST sabem muito bem que montar um acampamento provisório em frente ao palácio do governo, ou diante de órgãos do governo ou agências bancárias, garante presença no noticiário da televisão e nos jornais. Já a ocupação de prédios públicos ou a concentração de militantes em frente à fazenda da família do Presidente da República, por sua vez, garante um lugar de destaque na imprensa, enquanto durar a mobilização”.
       Essas estratégias realizadas pelo MST incomodam o governo, pois há uma dificuldade em combater a habilidade que o MST demonstra em aparecer na mídia. Para melhor efeito, seria muito mais confortável, para o governo, que o MST adotasse uma forma institucionalizada de oposição política, porém, mesmo que alguns integrantes do movimento acabam partindo para partidos políticos essa idéia é praticamente retirada da ideologia marxista do MST.

3.3 O MST e o Congresso
       “Uma prova incontestável da força política do movimento dos sem-terra é que ele não precisa, ou não quer passar pela intermediação de um deputado para fazer com que suas reivindicações cheguem ao Executivo. De fato, os dirigentes do MST são recebidos diretamente pelo Presidente da República ou por seus ministros”.
       A situação mais comum é aquela em que alguns parlamentares, geralmente de oposição, oferecem-se para solucionar uma situação de impasse, entre o governo e o MST. “Dessa forma, quando nenhum dos dois lados está disposto a fazer concessões, é freqüente ver parlamentares interessados num acordo se desdobrarem para marcar um encontro entre as duas partes. No entanto não é uma tarefa fácil, contudo, determinar com precisão quem são os deputados e senadores que apóiam o MST. O partido que oferece o apoio mais constante ao MST é o PT, já o PSDB e o bloco PMDB-PST-PTN posição em relação ao MST tem situação indefinida”, ou seja, palpitam apenas quando a situação esta praticamente resolvida.
       “No início da legislatura de 1995, o Instituto de Estudos Sócio Econômicos (INESC) aplicou um questionário a todos os parlamentares sobre os temas mais polêmicos da agenda política nacional. Entre as perguntas elaboradas foi incluída uma questão sobre os conflitos de terra e a reforma agrária: O que é necessário para inibir os conflitos agrários? Dos 165 parlamentares que representam apenas um terço do total quase a metade dos que responderam apontou a reforma agrária como a melhor solução”. Mas vale lembrar que o questionário não apontou os nomes dos parlamentares que o responderam, assim na hora de honrar as respostas muitos se calam ou seguem a ideologia do PSDB, PMDB, PST e PTN, se mantém indefinidos e só palpitam quando tudo está praticamente resolvido. Mas de certa forma também sabemos que “O que vale é a intenção”.
       “A despeito do potencial eleitoral demonstrado por alguns dos seus integrantes, o MST não acredita que a conquista de cadeiras no Congresso seja o melhor caminho para a luta pela reforma agrária. Podemos afirmar, portanto, que o MST não despreza nem desmerece o trabalho parlamentar, embora ele não seja visto como prioritário.

3.4 O MST e a Igreja
       “A importância da Igreja como ator político, no Brasil, foi evidenciada durante o processo de redemocratização. Com efeito, no final dos anos 70 e começo dos 80. Na atualidade a Igreja é um interlocutor confiável entre o governo e os trabalhadores rurais. De acordo com José de Souza Martins (1986), a Igreja ‘tem um êxito muito grande na mobilização de populações camponesas, na criação de comunidades de base, etc.’ É justamente essa proximidade entre os padres e os trabalhadores rurais que explica a importância da Igreja na formação do MST.
       “Segundo uma pesquisa feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais CERIS, quase a metade do clero brasileiro veio da Região Sul do país. Dois terços pertencem a famílias de classe baixa ou média-baixa. Enquanto 78% da população brasileira vivem nos centros urbanos, 64% do clero têm origem na zona rural. Três em cada quatro padres nasceram em cidades com menos de 20 mil habitantes”. O que leva a fácil conclusão o porque de a Igreja apoiar tanto os movimentos e também não se pode esquecer de ressaltar a parte cristã que prega que a terra é um direito de todo ser humano, já que nada é “nosso” e tudo vem do criador que é DEUS pai todo poderoso.
       “Dois aspectos marcaram decisivamente a influência da Igreja sobre o MST. O caráter ecumênico da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a capilaridade dessa entidade nas camadas populares”.
      “O apoio da Igreja à reforma agrária não se limita. O apoio logístico também é muito importante principalmente durante a Marcha a Brasília em 1997 quando a Igreja Católica permitiu a hospedagem em igrejas e casas paroquiais durante todo o trajeto, além de auxiliar na arrecadação de alimentos para os manifestantes. Estima-se que cerca de 15% dos recursos do MST sejam provenientes dessa rede de solidariedade internacional (O Estado de S.Paulo, 01/06/98)”.
       “Feitas essas considerações é possível distinguir dois grupos distintos os eclesiásticos brasileiros: os progressistas e os conservadores. O Vaticano entende como justas as reivindicações do MST, apesar de não apoiar os seus métodos de ocupar propriedades particulares e agências bancárias para forçar o governo a liberar créditos. Daí os apelos do papa para que a reforma agrária seja feita de acordo com a lei e não se torne um ato de violência”. Todos nós sabemos que se o governo realmente quisesse não teria violência e o fato é simples como o Papa mesmo disse: ‘que se faça a reforma agrária de acordo com a lei’.

3.5 O MST e a opinião política
        “No caso específico do MST, a opinião pública tem se revelado um elemento importante para as decisões do governo e é preciso considerar que, numa sociedade majoritariamente urbana como a sociedade brasileira contemporânea, as lutas do campo só conseguem se projetar nacionalmente se tiverem o respaldo e o reconhecimento da população das cidades. Com efeito, os moradores de áreas rurais representam apenas um quinto da população brasileira. Assim sendo os 80% restantes que moram em áreas urbanas são decisivos para o futuro de qualquer movimento agrário”.
       O MST tem consciência que apenas com os votos de áreas rurais não é possível mudar a correlação de forças na Câmara dos Deputados ou no Senado. Por isso a importância de atos e manifestações nas cidades.
Do ponto de vista dos dirigentes do MST, trata-se de conscientizar, e não de atrapalhar. “De fato, raramente vêem-se militantes do MST bloqueando uma avenida ou impedindo funcionários públicos de entrar no seu local de trabalho. Na maioria das vezes os manifestantes estão ocupando a entrada ou o saguão principal do prédio para forçar uma audiência com as autoridades responsáveis”. O objetivo principal das manifestações nas cidades é fazer conhecer as suas reivindicações e conseguir o apoio das populações urbanas às causa da reforma agrária. “O apoio do MST às lutas urbanas é considerado uma forma de solidariedade entre trabalhadores”.
        ”Pesquisas de opinião pública, realizadas ao longo dos últimos anos mostram que o MST conta com o apoio da maioria da população brasileira. O apoio à reforma agrária varia entre 80% e 94%, enquanto aproximadamente dois terços da população considera o MST um movimento legítimo. Durante a marcha do MST a Brasília, em 1997, a popularidade do movimento esteve no seu auge, chegando a 77% de apoio”.
        “Apesar de grande parte da população brasileira, ser favorável à reforma agrária, ela não está disposta a tomar iniciativas que a viabilizem, pois, indiretamente a imprensa interpreta e transmite que os movimentos não estão interessados apenas na reforma agrária, mas também na revolução e na agitação política”.  Isso faz com que muitos pensam que a reforma agrária não seja considerada prioridade e mesmo havendo vários projetos de reforma agrária, nem todos que se dizem favoráveis a ela concordam necessariamente com a reforma agrária pretendida pelo MST, fazendo com que o movimento em algumas vezes passe por vilão.
       “Resta ainda tratar da repercussão internacional do MST. O movimento foi objeto de diversas reportagens em grandes jornais estrangeiros, periódicos e emissoras de televisão, sobretudo depois do massacre de Eldorado dos Carajás, noticiado em 61 idiomas (IstoÉ, 24/04/97). A marcha dos sem-terra a Brasília teve como resultado aumentar ainda mais o interesse no assunto, como testemunha o ministro da Saúde, José Serra”: ‘A marcha a Brasília comandada pelo MST elevou ao máximo a simpatia internacional pelos pobres brasileiros’.
      O MST tem consciência da importância desse apoio externo e da sua influência no tratamento dispensado ao movimento pelo governo. Como se pode verificar, o MST não ocupa apenas terras e prédios públicos, mas ocupa também reuniões de ministros, discursos do presidente, relatórios dos serviços de inteligência, editoriais de jornais, manchetes nos noticiários, pronunciamentos de parlamentares, conversas entre o presidente e o papa, pesquisas de opinião pública e até protestos nas visitas do presidente ao exterior.
       “O governo só percebeu a força do movimento em 1997, a partir da Marcha a Brasília. Naquele ano o MST esteve no auge, os editoriais de jornais passaram a tratar periodicamente do MST e a reforma agrária contava com o apoio de 94% da população”.


4. MST ESCOLA DA VIDA EM MOVIMENTO
       O MST possui uma trajetória formativa, detendo-nos na analisar as atitudes desse grupo que tem o poder de juntar e de formar um discurso-ação constituído na experiência em questão que leva o povo sofrido a juntar-se ao grupo e assim formar uma grande família que busca direitos e que luta pela vida e pela sobrevivência. Por onde passam seja mal vistos ou bem vistos os grupos que compõe o MST deixam marcas, não de lutas físicas, mas sim de lutas pela moralidade, pela união e principalmente pela sobrevivência.

4.1 Sujeitos em movimento, um discurso de ação
       “A vivência dessas condições, associada a tais utopias, passou a se desdobrar em lutas cada vez mais profundas contra os arranjos societais e na organização de comunidades de projeto. Lutas que os têm levado a impugnar relações de poder e verdades a elas associadas que, historicamente, os classificava como sem-terra, sem lugar e sem futuro. Mas não sem antes experimentar o vazio de possibilidades de vida que a seqüência de atos de exclusão legou-lhes”.
       “Com isso, contribuíram para que, no interior do Movimento, se pudesse associar ‘história e memória’, fazendo ‘o passado das lutas do povo como seu’ (Caldart, 2000, p. 236), isto é, de cada trabalhador e trabalhadora do MST e do Movimento em si. E fazendo da memória da morte uma obrigação de vida, a continuidade da tarefa do amigo que morreu na luta”.
        “Um dos elementos mais fortes de identificação, para os trabalhadores e trabalhadoras sem-terra e para o Movimento, é a terra: terra para trabalhar, produzir, morar, viver, morrer. Princípio que tem coerência com a visão de história presente no Movimento, que é a de ‘enxergar cada ação ou situação particular em um movimento contínuo entre passado, presente e futuro’, compreender ações e situações em suas relações e como parte de uma totalidade maior”.

4.2 Uma forma de vida
       “Os princípios do Movimento, a sua pedagogia, os valores que afirma, os saberes e as marcas que vêm produzindo como: ter uma direção coletiva, divisão de tarefas respeitando aptidões, disciplina, estudo, formação de quadros, luta de massas e vinculação permanente entre direção do Movimento e base; pedagogia que vê a própria experiência ‘de ser Movimento, construir o Movimento e construir-se como Movimento’, ao mesmo tempo, como sujeito e como princípio pedagógico do MST. E que elege como matrizes pedagógicas: a pedagogia da luta, a da ação coletiva, a pedagogia da terra, do trabalho e da produção, a da cultura e a pedagogia da história (Caldart, 2000, p. 204-237)”.


4.3 A Amizade no MST
        “A forma de vida criada no âmbito da luta que constituiu o MST constituiu-se na própria expressão do companheirismo. Na experiência-limite que desafiou a construção de espaços de comunicação e ação dos trabalhadores e trabalhadoras sem-terra que os transformou em companheiros”.
        “A relação, entre indivíduos, famílias e o coletivo criado no acampamento, permeada por sentimentos que, associados, deram vida a essa amizade cuja origem pode ser associada à diversidade de formas de exposição de cada corpo à violência da exclusão, violência que transforma as relações entre os sujeitos num misto de ‘necessitação’ e repulsa, enquanto a confiança não chega. Características dessa amizade ético-política despontam na sistematização das vivências que os intelectuais do Movimento apresentam, ajudando-nos a compreender a forma de vida companheira nascida com a constituição do MST”.
        O MST virou uma grande família com anos e meses de acampamento, “as pessoas aprenderam que até o açúcar tem que dividir de manhã. Para ir prá uma caminhada, prá uma marcha, prá uma ocupação, o objetivo é que, o que é meu é de todo mundo. como toda família no MST também existe divergência interna, isso ninguém esconde nos assentamentos”.
        O MST possui uma série de maneiras e reflexões internas que trazem a todos uma reflexão profunda sobre a real forma marxista do MST como:

a) complementaridade do diverso e solidariedade

       “Um dos desafios apresentados ao MST, em sua história, foi conviver com a diversidade dos sujeitos que reuniu, aproveitando suas habilidades e capacidades individuais para configurar um coletivo com amplo espectro de ‘competências’ nos âmbitos da organização, mobilização, lazer, fazer técnico e educação. Isso acolheu e deu organicidade ao coletivo e atuou no sentido de afastar a competitividade e dar margem ao estabelecimento de nova lógica nas relações”.

b) da ação política ao acolhimento

        “Na seqüência de atos que passaram a protagonizar os sem-terra fizeram dos acampamentos um lugar de espera, mas da espera-ação. Lugar onde as formas de relacionamento não foram previamente prescritas, ao mesmo tempo, uma necessidade de invenção. Foi também esta espera-ação-ético-política, que aliou sofrimento formação política e possibilitou o desabrochar de uma nova sociabilidade e de subjetividades, fenômenos que, ao serem vividos com a cumplicidade do companheiro, não perderam a intensidade”.

c) da fraternidade ao agonismo

        “O acolhimento fraternal agregou, à relação de companheirismo, vontade de construir equilíbrio de forças, Agregou a vontade de pautar tal relação pelo jogo estratégico de "agir sobre o outro com o mínimo de domínio", que acompanha o agonismo provocador, que incita os sujeitos em relação a desencadearem crítica e criação. A fraternidade possibilitou a configuração de uma convivência companheira caracterizada por manter relações democráticas, cuidá-los como irmãos, compartilhar desejos e direitos, e também dialogar, fazer escolhas, tomar decisões.

d) historicidade e humanidade

        “À medida que o MST avança como instituição, e o seu discurso-ação ou, como dizem os assentados, o seu ‘projeto’ vai se ‘completando’, as verdades do Movimento começam a ganhar força e a dar força a determinadas relações de poder. embora o MST mantenha fidelidade histórica ao ideal de humanidade legado pela ‘cruz’, a relação entre humanidade e verdade, não ficam isentas de levar ao sacrifício a humanidade e, por sua vez, também sacrifica a amizade e a relação do companheiro com os ‘de dentro’ e com os ‘de fora’ do Movimento, especialmente quando a polêmica.

4.4 Formação e sofrimento
        “Na trajetória do MST, a relação com o sofrimento passou a se constituir como uma técnica de si, que não subtraiu o indivíduo do convívio, pelo contrário, o manteve necessitado, solidário e ocupado com o outro e com o coletivo. “A relação com o sofrimento transformou-se em quase-norma, fez-se socializadora no interior do MST”.
        “A formação e o sofrimento marcaram as personalidades e deram força aos trabalhadores e trabalhadoras sem-terra na sua trajetória de resistência e luta contra o poder do Estado, do latifúndio e do ‘lado burguês’ da sociedade e, com isso, deixaram muita responsabilidade e passaram a experimentar, a instabilidade e a responsabilidade de conviver com a tensão, já caracterizada, de manter o lado corporativo institucional do Movimento e o seu lado aberto e agônico, ao mesmo tempo.
Essas marcas de personalidade também mostram que o grupo está ligado num contexto social muito abrangente, e dentro deste contexto aprendem em cada nova forma de união, que existe uma prova de caráter que valoriza o coletivo e o grupo em si como uma grande família.




CONCLUSÃO


         O que se pode analisar de fato sobre o contexto geral do MST, é que esse grupo possui uma organização muito interessante que visa lutar pela justiça e pelo direito a vida. Suas idéias filosóficas, econômicas, políticas e sociais são de origem marxista e compreendem o homem como um ser social histórico com capacidade de trabalhar, de evoluir o fruto do trabalho possibilitando o progresso de sua emancipação, fazendo com que aja um desenvolvimento das potencialidades humanas.
        De acordo com os autores dos artigos aqui descritos neste resumo a idéia de se formar um movimento social que reivindica o direito pela terra, já vem de séculos anteriores, no entanto, sempre esbarrou em algo que não deixasse a idéia fluir. Quando no auge do Governo de Leonel Brizola no Rio Grande Sul tudo parecia dar certo para o grande surgimento de um grupo como o MASTER que reivindicasse os direitos pela terra, eis que surge o golpe militar que fez com essa idéia “empolgante” não fluísse e o que já estava pronto acabou desmantelado, com seus principais organizadores presos ou fugindo do país.
        O governo militar de certa forma se preocupou, e para não trazer uma revolta total do povo, usou de forma discreta e camuflada o termo reforma agrária mais com o nome de “Novos Assentamentos”. No entanto, não permitiu a organização de grupos, isso é fácil de entender por que os mesmos possuíam idéias marxistas as quais traziam traços de certa forma comunistas de uma ideologia política e socioeconômica, que pudesse talvez promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida. Porém todos sabemos que a inteligência é algo que ninguem pode nos tirar, e muitos dos líderes se mantiveram em sigilo apenas pensando em estratégias. No final da ditadura mais precisamente no período de transição eis que resurge como a fenix o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que continua com sua política marxista para a alegria do povo que esperava por um pedaço de chão.
        Mesmo percebendo que os autores dos artigos colocam não do ponto de vista deles, mas de parte da sociedade críticas ligadas ao MST, sabe-se que em qualquer lugar existem os frutos podres do cesto, não podemos criticar um grupo que visa buscar sobrevivência por causa de uns e outros. A história nos mostra que mesmo antes de o grupo se apresentar como MST já vinha com uma filosofia de trabalho e de sobrevivência. Deve-se antes de mais nada incentivar e investir nesses grupos, pois eles são uma forma organizada de distribuição correta, sabem a necessidade de cada integrante, pois vivenciam o dia-a-dia a luta e sofrimento de cada um. O MST não visa riqueza, apenas uma distribuição justa de terras, e não de terras produtivas e sim de terras abandonadas improdutivas para que se possa recuperá-las e viver sobre elas com dignidade, produzindo alimento para manter a vida livre de fome e miséria. Como se sabe a política do MST é marxista e é ligada numa teoria de sociedade igualitária, onde se valoriza o ser humano pelo que ele é e não pelo que tem, onde se possa romper a raiz da propriedade privada burguesa que muitas vezes não produz, transformando-se numa base produtiva no sentido da socialização dos meios de produção.




REFERÊNCIAS


ROSA, Marcelo Carvalho. Sem-Terra: os sentidos e as transformações de uma categoria de ação coletiva no Brasil. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-64452009000100007&script=sci_arttext > Acesso em: 16 de Outubro de 2011 às 17:00 Hs.

COMPARATO, Bruno Konder. A Ação Política do MST. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392001000400012 > Acesso em:  16, de outubro de 2011 às 15:26 Hs.

FALKEMBACH, Elza Maria Fonseca. MST, "escola da vida" em movimento. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200003 >Acesso em: 16, de outubro de 2011 às 16:10 Hs.

WIKIPÉDIA. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Brasil, 2011. Disponível em < http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_Trabalhadores_Rurais_Sem_Terra > Acesso em: 26 de Outubro de 2011 às 15:39 Hs.

MST. Quem somos nós. Brasil, 2009. Disponível em < http://www.mst.org.br/node/8629 >  Acesso em: 26 de outubro de 2011 às 17:00 Hs.

sábado, 5 de novembro de 2011

Resumo dos Modulos IV e V do Curso de Educação Ambiental

EDUCAÇÃO AMBIENTAL MODULO IV

EDUCAÇÃO AMBIENTAL FORMAL

As aplicações da Educação Ambiental formal são de aplicabilidade no ambiente escolar. No entanto entende-se como Educação Ambiental Formal a educação compreendida no âmbito escolar, tomando o espaço da gestão ambiental como elemento estruturante na organização do processo de ensino aprendizagem, para que haja um controle social sobre decisões que afetam o destino de muitos destas gerações futuras.

As características específicas da Educação Ambiental, tanto em nível temático como metodológico, exigem processos específicos de capacitação dos professores, para se introduzir uma proposta de inovações educativas nas escolas. Isso acaba sendo mais fácil compreendido com a definição das novas diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais, onde os temas transversais visam à atualização e adequação dos currículos para a capacitação dos responsáveis pela execução dessas inovações que é imprescindível.

As diversas dificuldades existentes devem – se, muitas vezes, às formas simplistas com que tem sido concebida e aplica a Educação Ambiental, reduzindo-a a processos de sensibilização que é uma etapa inicial da Educação Ambiental. Ela é imprescindível para avançar nos processos da EA, mas vale ressaltar que a mesma não e uma Educação Ambiental, pois a partir dela ainda, não se produzem avanços significativos para uma compreensão mais abrangente da sociedade, nem se refletem em mudanças de atitudes e, muito menos, ajudam a construir uma nova forma de racionalidade ambiental.

A questão ambiental, quando abordada na Escola, a partir de práticas interdisciplinares facilita a aprendizagem, valores e atitudes. Assim o indivíduo a sociedade e a espécie interligam-se de tal forma que se tornam co-produtores um do outro.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (PCNs)

O tratamento da Educação Ambiental, tema transversal, como é sugerido, permite aprofundar as fontes teóricas que permeiam as práticas pedagógicas vigentes, colocando a EA como um tema transversal na busca de uma melhor qualidade de vida individual e coletiva.

A Educação Ambiental ganhou uma nova abordagem a partir da LDB que determinou a elaboração do Plano Nacional de Educação. O ensino da Educação Ambiental também é lembrado na Constituição Federal de 1988, especialmente no Artigo 225, § 1º.

Uma das maiores contribuições para a educação moderna foi a introdução dos Temas Transversais. Essa disciplina permite a constante reconstrução de conceitos, valores e posturas diante dos fatos.
Alguns pontos polêmicos no debate ambiental segundo o PCN apontam questões como:

•    Se restringir exclusivamente à preservação dos ambientes naturais deixando de lado saneamento, saúde, cultura, decisões sobre políticas de energia que são extrapolações e não devem ser da alçada dos ambientalistas.
•    Os que defendem o meio ambiente são pessoas radicais e privilegiadas, não necessitam trabalhar para sobreviver, perturbam quem realmente produz e deseja levar o país para um nível melhor de desenvolvimento.
•    É um luxo e um despropósito defender, por exemplo, animais ameaçados de extinção, enquanto milhares de crianças morrem de fome ou de diarréia.
•    Quem trabalha com questões relativas ao meio ambiente, acredita que a natureza humana é intrinsecamente “boa” e não percebe que a pior poluição é a pobreza, e para haver progresso é normal algo ser destruído ou poluído.
•    Idealiza-se a natureza, quando se fala de “harmonia da natureza”. Como se pode falar em “harmonia”, se na natureza os animais se atacam violentamente e se devoram? Que harmonia é essa?

É essa a visão, que erroneamente as pessoas fazem sobre as questões ambientais, que um educador ambiental deve combater; e é na escola que se inicia esse processo.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL – UMA VISÃO INTERDISCIPLINAR

A questão ambiental, quando abordada na escola, a partir de práticas interdisciplinares facilita a aprendizagem de valores e atitudes. A interdisciplinaridade está presente na Política Nacional de Educação Ambiental em modalidades do processo educativo não formal.

As práticas interdisciplinares devem ter como objetivos, desenvolver a postura crítica e trabalhar sobre atitudes e valores do educando. E os professores, inseridos no trabalho interdisciplinar para que possam proporcionar ao aluno atividades conjuntas que buscam a interação de temas geradores de polêmica. Assim o professor, assume o papel de pesquisador, onde ele necessita de mais estudos, leituras, reflexões sistematizadas para poder atuar com segurança na própria realidade.

A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A Educação Ambiental possui especificidades conceituais de um campo de conhecimento em formação, visa à construção de relações sociais, econômicas e culturais capazes de respeitar e incorporar as diferenças. Assim os conteúdos abordados objetivam a homogeneização de conceitos básicos da dinâmica ambiental e a discussão/reflexão, a fim de proporcionar possibilidades de escolha consciente.

Os princípios gerais que a Educação Ambiental segue são: Sensibilização, compreensão, responsabilidade, competência e cidadania. Já no processo de formação dos educadores, o Ministério da Educação, as secretarias estaduais de educação e as universidades devem ser as instituições que garantam a elaboração e a implementação de políticas e o cumprimento das responsabilidades por parte do Estado nessa área. Assim é extremamente recomendável que, nesta tarefa, sejam envolvidas as diferentes instituições governamentais e não governamentais.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL MODULO V

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NÃO – FORMAL

Abordar a Educação Ambiental não-formal é definir ligações com empresas, turismos ecológicos, Ecoturismos, ONGs entre outras. Essas instituições elaboram programas de educação Ambiental, pois operam por meio de programas direcionados a realidade social e ambiental. Tem a função de informar e formar. Desenvolvem ações na área da educação, comunicação, extensão e cultura que são obtidas fora dos bancos escolares e universitários, se dirigindo ao grande público, ou à sociedade fazendo se valer por meios de comunicação convencionais.

É interessante observar a evolução que a Educação Ambiental não-formal sofreu ao longo do tempo. A mesma é concebida inicialmente como preocupação dos movimentos ecológicos e é fundamental para o desenvolvimento da sensibilidade ambiental.

ESFERAS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL


A lei do plano de Educação Ambiental combina educação formal e não-formal, por meio das mais diversas esferas organizadas, pela educação ambiental. Nesse contexto a abrangência das responsabilidades atribuídas pela lei em matéria de EA não-formal fica clara, na lei 9795, de 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental na Seção III, Art. 13.
Quando falamos em Educação Ambiental não-formal nas escolas privadas, sabemos que as mesmas

necessitam integrar seu sistema educacional em práticas pedagógicas. Vale Lembrar que, embora haja incentivos governamentais, nem sempre estes são conseguidos, sendo a entidade a responsável direta pela elaboração destes programas. Essas entidades vão ganhando forças ao longo do tempo, incorporando fundamentos, ampliando a visão ambiental, como algo sistêmico, composto pela inter-relação entre os fatores ambientais, sociais e econômicos e não apenas o fator natural.

A partir do ponto citado a EA ganha forças e passa a ser vista como um processo de aprendizagem contínua, para a formação de cidadãos. Em vista da importância da Educação Ambiental, foi necessário extrapolar o espaço escolar, disseminando os conteúdos, em áreas públicas, no entorno de Unidades de Conservação, por meio de atividades culturais.

Diversas iniciativas de Educação Ambiental no setor não formal estão sendo implantadas, mas é necessário que se exista um intensivo treinamento de educadores no planejamento, desenvolvimento, avaliação e documentação dos projetos e seus resultados para incrementar o apoio financeiro de uma metodologia eficaz.

ESTRATÉGIAS PARA AS PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

As práticas de Educação Ambiental devem sempre considerar a realidade local, levando em conta toda sua perspectiva histórica, pois isso possibilita que a situação futura seja condizente com os anseios dos envolvidos. Mas ainda existe outro fator que merece destaque que é o enfoque sistêmico, onde todos os fenômenos ou eventos se inter-relacionam de forma global.

O ideal é que se comece a averiguar às questões ambientais do ponto de vista do local, passando ao regional, nacional e global, estabelecendo assim, às inter-relações do meio com o restante do planeta.
A criação e o desenvolvimento de um programa de educação Ambiental não-formal pode ser elaborado utilizando-se diferentes métodos em diversos ambientes educativos e uma ampla gama de atividades práticas.

No entanto, necessita-se estabelecer prioridades, atitudes e formas de ação, levando em conta: definição do público alvo e do objeto a ser alcançado, seleção do conteúdo, temática abordada, adequação da linguagem e das estratégias, desenvolvimento de estratégias, dimensão de propostas, parceria para execução da proposta e cronograma de execução das atividades.

PLANEJAMENTO DE PROJETOS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O planejamento pode ser conceituado como o processo de tomada antecipada de decisão, com objetivo de obter um estado futuro desejável, devendo se ter um enfoque holístico, procurando suas causas e inter-relações em um contexto social e histórico, respondendo a questões como: Para que o planejamento? Como se deve desenrolar o processo? Quem deve participar e de que forma deve ser envolvido? Depois de respondidas essas questões, deve-se concluir as quatro etapas do planejamento, às quais são fundamentais.
São elas: O conhecimento da realidade; A concepção de um plano, a Execução do plano e o acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações.

Na prática essa sequência é um ciclo continuado, com o acompanhamento reordenado a concepção e a execução do plano que envolve sempre um conjunto de aspectos considerados intrínsecos ao seu desenvolvimento os quais podemos destacar: Dimensão racional; Dimensão política; Dimensão valorativa e Dimensão técnico-administrativa. Baseado nessa concepção a administração pública alega que, para que haja transparência dos atos praticados e dos gastos realizados, exige-se a identificação unitária das ações e o correspondente detalhamento das atividades.


CONCLUSÕES


Analisando os textos, pode-se chegar ao consentimento que a Educação Ambiental Formal e Não-Formal necessita claramente uma da outra para ambas poderem desenvolver seu âmbito dentro da sociedade. Para compreender melhor os fatos, deve-se começar primeiro pela Educação Ambiental Não-Formal que é aquela aplicada na rede privada dentro de empresas, comércios e sociedades no geral, que visa buscar e oferecer projetos que possam beneficiar o meio ambiente através de uma conscientização transmitida através da “propaganda” e da realização de eventos e atividades no ambiente social.

Já a Educação Ambiental formal, é aquela que está inserida nos bancos escolares e universitários, tendo por objetivo transmitir o conhecimento e o ato de prevenção desde a raiz buscando alternativas, idéias, críticas e soluções para um melhor desenvolvimento sustentável.

Através disso pode-se concluir no geral que a Educação Ambiental Não Formal é aquela que vem se apresentando de forma bruta, no entanto, deve ser lapidada pela Educação Ambiental Formal, para que se busque uma melhor aplicação por parte das duas. Ou seja, “ela funciona como um “diamante” onde sua beleza esta no final do processo de lapidação quando aparecem as melhores formas e brilhos”.  Com base nessa reflexão pode se alegar que as duas Educações tanto a Formal como a Não-Formal precisam estar juntas para buscar melhor conscientização e solução.


REFERÊNCIAS
Os textos, Curso de educação ambiental Modulo IV E V foram retirados do site
PORTAL DA EDUCAÇÃO ( http://www.portaleducacao.com.br ).
Os Direitos autorais estão contidos nas referências da Apostila do Curso de Educação Ambiental.

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