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Sou simples, honesto, sincero, dedicado, carinhoso, compreensível e de muita fé em DEUS. Sou católico, Professor formado em Educação Infantil, pelo curso de formação de docentes do C.E.P.E.M (Colégio Estadual Padre Eduardo Michelis) de Missal - PR, formado em Geografia (licenciatura) pela UNIGUAÇU – FAESI, e Pós - Graduado em Educação Especial e Inclusiva.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Geopolítica - A nova ordem mundial




Leitura complementar 


Autor: José William Vesentini



O que é uma ordem [geopolítica] mundial? Existe atualmente uma nova ordem ou, como sugerem alguns, uma desordem? Quais são os traços marcantes nesta nova (des)ordem internacional?

Esse tema é clássico na geografia política, na geopolítica, na ciência política e nos estudos de relações internacionais. Um dos mais importantes (pelo número de citações que recebeu e ainda recebe) teóricos a abordar esse tema foi o geógrafo e geopolítico inglês Halford J. MacKinder, que produziu várias obras sobre o assunto no final do século XIX e no início do século XX. A idéia de uma ordem mundial pressupõe logicamente um espaço mundial unificado, algo que só ocorreu a partir da expansão marítimo-comercial européia (e capitalista) dos séculos XV e XVI. Daí os autores clássicos, em especial aqueles do século XIX, terem cunhado a expressão "grande potência" ou "potência mundial", indissociavelmente ligada à idéia de ordem mundial. Esta normalmente é vista como uma situação de equilíbrio (sempre instável ou provisório) de forças entre os Estados. (Afinal é o Estado quem atua nas relações internacionais e executa tanto a diplomacia quanto a guerra). 

E como esses atores privilegiados no cenário global, os Estados, são equivalentes apenas na teoria -- pois há alguns fraquíssimos, em termos de economia, de população e de poderio militar, e alguns poucos outros extremamente fortes --, o conceito de potências (médias ou regionais e principalmente grandes ou mundiais) é essencial na medida em que expressa algo que ajuda a definir ou a estabilizar a (des)ordem mundial. Como assinalaram Norberto BOBBIO e Outros (Dicionário de Política, editora Universidade de Brasília, 1986, pp.1089-1098), cada Estado possui a sua soberania ou poder supremo no interior de seu território, não estando portanto submetido a nenhuma outra autoridade supraestatal, o que em tese redundaria numa espécie de "anarquia internacional". Mas a existência das grandes potências e a própria hierarquia entre os Estados introduz um elemento estabilizador, uma "ordem" afinal, nessa situação em que não há um poder global ou universal, isto é, acima das soberanias estatais. 

É exatamente essa hierarquia que vai dos "grandes Estados" -- a(s) grande(s) potência(s) -- até os "pequenos", esse sistema de países onde na prática há o exercício do poder pela diplomacia (ou, no caso extremo, pela força militar) e pelas relações cotidianas (comerciais, financeiras, culturais...), o que se convencionou denominar ordem mundial. Por esse motivo, via de regra se define uma ordem mundial pela presença de uma ou mais grandes potências mundiais: ordem monopolar, bipolar, tripolar, pentapolar, multipolar etc. Como podemos perceber, não se avança muito quando se nega a idéia de uma (nova) ordem e se enfatiza o termo desordem, pois toda ordem mundial é instável e plena de conflitos e de guerras. Estas normalmente, salvo raras exceções, são explicáveis pela lógica que preside a ordem mundial e, portanto, não a denegam. Podemos dizer, assim, que o conceito de ordem mundial não é positivista (no sentido de ordem = ausência de contestações e de conflitos) e sim, na falta de um conceito melhor, dialético (no sentido de ordem = algo sempre instável e na qual as disparidades, as tensões e os conflitos são "normais" ou inerentes). 

A atual ordem internacional, nascida com a ruína da bipolaridade -- que foi o mundo da guerra fria e das duas superpotências, que existiu de 1945 até 1989-91--, ainda suscita inúmeras controvérsias e costuma ser definida ora como multipolar (por alguns, provavelmente a maioria dos especialistas), ora como monopolar (por outros) ou ainda como uni-multipolar (por Huntington). Aqueles que advogam a mono ou unipolaridade argumentam que existe uma única superpotência militar, os Estados Unidos, e que a sua hegemonia planetária é incontestável após o final da União Soviética. E aqueles que defendem a idéia de uma multipolaridade não enfatizam tanto o poderio militar e sim o econômico, que consideram como o mais importante nos dias atuais. Eles sustentam que a União Européia já é uma potência econômica tão ou até mais importante que os EUA -- e continua se expandir -- e tanto o Japão (que logo deverá superar a sua crise) quanto a China (a economia que mais cresce no mundo desde os anos 1990) também são economias importantíssimas a nível planetário. Além disso, raciocinam, a Rússia ainda é uma superpotência militar, apesar de sua economia fragilizada; a China vem modernizando rapidamente o seu poderio militar; e as forças armadas da Europa, em especial as da Alemanha, França, Itália e Reino Unido, tendem a se unificar com o desenrolar da integração continental. 

Até mesmo os momentos de crise (Guerra do Golfo, em 1991, conflitos na Bósnia e no Kosovo, em 1993 e 1999, a luta contra o terrorismo, em 2001, e a ocupação do Iraque, em 2003) são vistos sob diferentes perpectivas por ambos os lados. Os que insistem na monopolaridade pensam que essas crises exemplificam a hegemonia absoluta e sem concorrentes dos Estados Unidos, enquando que os que advogam a multipolaridade explicam que essa superpotência em todos esses momentos críticos necessitou do imprescindível apoio da Europa, em primeiro lugar, e até mesmo da ONU, além de ter feito inúmeras concessões à Rússia e à China em troca do seu suporte direto ou indireto nesses bombardeios contra o Iraque, contra a Sérvia e contra o Afeganistão. 

Mas, independentemente do fato de ser uni ou multipolar -- ou talvez uni-multipolar, uma fórmula conciliatória que admite uma monopolaridade militar (mesmo que provisória) e uma multipolaridade econômica --, a nova ordem mundial possui outros importantes traços característicos: o avançar da Terceira Revolução Industrial, ou revolução técnico-científica, e de uma globalização capitalista junto com uma nova regionalização que lhe é complementar, isto é, a formação de "blocos" ou mercados regionais. A revolução técnico-científica redefine o mercado de trabalho (esvaziando os setores secundário e primário e ao mesmo tempo exigindo cada vez mais uma mão-de-obra qualificada e flexível) e reorganiza ou (re)produz o espaço geográfico (com novos fatores sendo determinante para a alocação de indústrias: não mais matérias primas e sim telecomunicações e/ou força de trabalho qualificada, dentre outros). Ela é condição indispensável para a globalização na medida em que esta não existe sem as novas tecnologias de informática e de telecomunicações. Ela influi até mesmo na guerra, pois permite a construção de armas "inteligentes", que destroem alvos específicos sem ocasionar matanças indiscriminadas (e são mais precisas que as armas de destruição em massa, o que significa que não é mais necessário o transporte de grande quantidade delas) e torna as informações algo estratégico para a supremacia militar. Esta última deixa de ser ligada ao tamanho da população ou mesmo à quantidade de soldados (existe uma tendência no sentido de haver menos militares, só que com maior qualificação) e passa a depender da economia moderna, da tecnologia avançada. 

extraído da fonte:

http://www.geocritica.com.br/geopolitica03.htm     às 15h45min 08/05/2013  (Todos os direitos reservados ao autor)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Resenha da tese de doutorado de Jones Muradás



UNIGUAÇU – UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DO IGUAÇU LTDA.
FAESI – FACULDADE DE ENSINO SUPERIO DE SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
ISE – INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO
CURSO DE GEOGRAFIA SEXTO PERÍODO
História da Formação Territorial do Brasil



RESENHA DA TESE DE DOUTORADO DE JONES MURADÁS


ANDERSON JOSÉ BENDER


Trabalho de graduação apresentado à disciplina de História da Formação Territorial do Brasil da Faculdade de Ensino Superior de São Miguel do Iguaçu, sob orientação do Professor Rodrigo Piovesana.





SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
2013



MURADÁS, Jones. A geopolítica e a formação territorial do sul do Brasil. Porto Alegre: p. 297 a 314. UFRGS, 2008.

Resenha da tese de doutorado


A tese de Jones Muradás se baseia no contexto histórico da ocupação e posse do estado do Rio Grande do Sul. O autor da mesma aponta fatos de ordem cronológica, identificando os “atores e os cenários” que se envolvem no fato histórico.
O contexto da obra busca vertentes históricas no cenário europeu que explicam os motivos de investir nas grandes navegações. Segundo o autor o fato que antecede a descoberta da América do sul foi de tensão entre espanhóis e portugueses. Após a descoberta da América por Colombo, Portugal se sentiu incomodado e alegou que a Espanha não havia cumprido o tratado de Alcaçovas-Toledo.       
 Após a descoberta da América muitos desfechos aconteceram, esses mais tarde culminaram em “encontrar” o continente americano pelos portugueses. Segundo Muradás os portugueses iniciaram um projeto geopolítico de busca de terras e riquezas além do mar, com objetivos de conquistas comerciais, mas, que acabaram por descobrir as “novas terras”. Mesmo após tal descoberta os desfechos entre espanhóis e portugueses continuou ao fato de ingressar o chamado tratado de Tordesilhas, tratado esse que dividiu o território brasileiro em duas partes ficando oriental para Portugal e a parte ocidental para a Espanha. Desta forma, o Rio Grande do Sul e o sul do Brasil como terras coloniais nasceram espanholas.
Após a descoberta do território brasileiro, aconteceram as expedições exploratórias de reconhecimento onde se verificou as possibilidades de explorar o território de forma econômica. Muradás aponta que em sua tese que a partir deste momento o Rio Grande do Sul e o Sul do Brasil foram envolvidos, cercados por expedições diversas, porém, não foram explorados economicamente, pois não tinham atrativos que dessem retorno financeiro.
A partir desta data houve um desenvolvimento dos conhecimentos geográficos e antropológicos, surgindo um mapeamento rico em detalhes por parte dos europeus envolvendo a partir dessas bases muitas decisões geopolíticas. Partindo desse ponto e levando em conta outros fatores o atual sul do Brasil foi lentamente sendo conhecido, mas no final de 1580, em razão da unificação das coroas ibéricas o rio Grande do Sul e o Brasil eram território espanhol de fato. Jonas descreve nessa parte de sua tese todo o processo de desenvolvimento onde ocorreram os principais desfechos, as delimitações, as ocupações, o detalhamento de toda a costa atlântica sul – americana expressando bem os detalhes dos mapas portugueses e as expressões que os mesmos usavam divulgando o Brasil como uma espécie de território insular como sendo uma grande ilha situada dentro das águas do Rio Amazonas e do Rio da Prata.
Fica evidente dentro da tese de Muradás que no período da União das coroas ibéricas, Portugal ficou submetido à Espanha, de fato isso sucedeu por que Portugal entrou em crise na sucessão da monarquia. Esse período durou de 1580 á 1640 e fez com que o território brasileiro pertencesse exclusivamente à Espanha. Com a unificação dos reinos Espanha – Portugal, não houve motivos externos para a conquista e exploração do sul até porque este espaço era praticamente de denominação espanhola. Como apenas um monarca reinava nos dois territórios não havia mais o meridiano de Tordesilhas e isso levou a exploração do centro-sul com intuito de buscar nativos para a escravização. Porém, os espanhóis não tiveram condições de dominar rapidamente o território indígena pela força devido a pouca quantidade de homens e armas e, como a região sul não contribuía com retorno econômico, não recebeu atenção especial por parte da Espanha demorando a consolidar a ocupação do território. No entanto, o autor da tese destaca que esse território recebeu os serviços religiosos que se alastraram em forma de missões e que segundo o mesmo deixa claro a fraqueza espanhola no domínio do território.
A partir do século XVII surge outro fator que influencia na ocupação da parte sul do território principalmente para os habitantes de São Paulo, que foi a caça e venda de índios escravizados, essa prática era de caráter particular e eram organizadas por expedições conhecidas como Bandeiras. O autor explica que após a derrota da bandeira de Pedroso de Barros na Batalha de Mbororé em 1641, os jesuítas retiraram os nativos para a margem ocidental do rio Uruguai, deixando o território desocupado. Com esta desocupação formou-se um vazio geopolítico no sul do Brasil e na busca por nativos para escravizar todo o território foi sendo explorado pelas Bandeiras. Outro destaque nesse contexto que Jonas coloca é o fato dos jesuítas transferirem o gado das Missões para o sul do rio Jacuí, livrando-o da pilhagem das Bandeiras. Nessa região os rebanhos espalharam-se livremente e se reproduziram nas pastagens naturais dando origem a Vacaria del Mar. Ainda segundo Muradás esse gado é que será o responsável pela viabilização econômica do Rio Grande do Sul que mais adiante foi o fundamento econômico básico de apropriação da terra sul-brasileira.
Com a restauração da coroa portuguesa estava começado um novo ciclo nas relações de poder. O tratado de Tordesilhas estava totalmente desgastado, por não ter havido uma demarcação de limites e a invasão e posse pelos súditos de ambas as coroas. Segundo Muradás muitos conflitos aconteceram no desfecho da história, dentre esses os conflitos de deter os índios. O estado Espanhol não conseguia se apossar e colonizar o território, ficando com os jesuítas a função de ocupação e colonização do território através da catequese. Isso demonstrava total fraqueza militar espanhola na ocupação do território já por sua vez, em Portugal, houve um projeto geopolítico focado nas terras da América do Sul que fez expandir as fronteiras, principalmente no centro da América do Sul, procurando estender o máximo sua soberania sobre o território, empurrando as fronteiras procurando preencher os espaços portugueses.
O autor aponta em sua tese que o desfecho dessa história teve grande participação da igreja, pois, em 1676 o Papa Inocêncio XI instituiu o bispado do Rio de janeiro, estendendo até o Rio da Prata, o que se subintende que essa área era demarcada como sendo território português, colocando na base da demarcação a colônia de Sacramento que era o limite do bispado. Em razão desta colônia e procurando interromper o avanço em direção ao litoral sul, são estabelecidas, missões jesuíticas em 1682 que foram chamadas de Território dos Sete Povos das Missões.
Se não fossem os jesuítas da Companhia de Jesus e seus índios o território do Brasil se estenderia até o Rio da Prata. Desse marco em diante aconteceram grandes desfechos que reforçaram o povoamento do Sul do Brasil e, um desses desfechos foi o contrabando. Jonas aponta em sua tese que o sul do Brasil foi, em larga medida, desenhado, e até mesmo descoberto, durante o século XVIII, pelos tropeiros que fizeram integrar o distante sul ao Brasil, esse contrabando foi endossado pela coroa portuguesa, se fundamentando nas ações geopolíticas da região e, que a partir deste desfecho, o habitat do Pampa passou a abrigar um novo tipo social, que, sem pátria e sem lar, era formado por desertores, fugitivos, vagabundos, criminosos, tanto portugueses como espanhóis, negros e índios, todos marginalizados, de uma forma ou de outra, pela sociedade latifundiária pecuarista em formação. Essa formação regionalizada é reforçada na tese de Muradás, e é definida como Mozos Perdidos e depois como Changadores, Gaudério, e por último Gaúcho. Essa denominação, no entanto se estendia por todo o território que atualmente é o Uruguai.
A integração do sul pelos tropeiros se baseava além da ampliação dos espaços, na ocupação de terras se tornando segundo a tese de Jonas um fator geopolítico relevante para a expansão territorial do Brasil além de mudar a história das relações comerciais no país, mas, vale ressaltar que as concessões de sesmarias e o estabelecimento das estâncias que se estabeleceram no século XVIII, também se aponta como forte ação geopolítica da Coroa portuguesa para efetivar a posse das terras, consolidando a ocupação do território.
Após esse desfecho também ocorreu no atual território do Rio Grande do Sul a ocupação militar de 1737 com desfechos geopolíticos, essa por sua vez, fazia o papel da defesa contra invasões e garantia o comércio de gado da região e o contrabando do Rio da Prata. Anos depois, aconteceu o tratado de Madri que era orientando por Alexandre Gusmão que adotou para a região limites territoriais fixados. Alexandre Gusmão a partir de então passou a iludir os espanhóis, como os mesmos não tinham informações cartográficas, ficava fácil de Alexandre mostrar aos espanhóis que o território estava bastante deformado e ampliado. A partir desse fator, o território brasileiro passou a crescer em direção ao Sul e Oeste do mesmo. Assim, Portugal cedeu à Espanha a Colônia de Sacramento e reconheceu-lhes a posse das Filipinas, em troca da formalização da soberania lusa sobre os Sete Povos das Missões e as margens orientais dos rios Paraná, Paraguai, Guaporé e Madeira.
De acordo com a tese de Muradás, o Tratado de Madrid foi fundamental para a história do Brasil e do Rio Grande do Sul, pois, esse tratado estabeleceu os primeiros limites para o atual estado do Rio Grande do Sul, portanto, subintende-se  que, até 1640 o sul do Brasil foi espanhol e a partir dessa data foi sendo conquistado pelos portugueses de acordo com os desfechos vistos até aqui.
Para completar o povoamento do sul do Brasil, principalmente do Rio Grande do Sul, foi fundamental a migração açoriana (proveniente do arquipélago de Açores que é um território autônomo da República Portuguesa) que complementou a conquista rio-grandense. Baseado nesse trecho da tese subintende-se na visão do autor que a imigração foi fundamental para a conquista do território rio-grandense, pois a partir dela todo o território começou a progredir. Sem dúvida esse foi um grande ato geopolítico da coroa portuguesa.
O Tratado de Madri continuou se destacando favorável a ocupação do sul do território brasileiro e, o segundo grande destaque foi a Guerra Guaranítica. Esta guerra se deu por que os índios missioneiros, insuflados pelos jesuítas, se negaram a desocupar suas terras para Portugal. O resultado desse confronto desarticulou as Missões Jesuíticas, desarticulação essa que foi muito importante para a incorporação da região em 1801.  Os índios e jesuítas das missões sempre estiveram contra as pretensões portuguesas, defendendo os interesses espanhóis. É interessante destacar que segundo Jonas Muradás, se não houvesse a atuação combinada entre jesuítas e indígenas ao lado da Espanha contra os portugueses, provavelmente o limite do Brasil seria o Rio da Prata ou seja o território atual do Uruguai, pertenceria ao Brasil consolidando assim a doutrina geopolítica do Magnus Brasil.
Antes de se oficializar a atual demarcação rio-grandense muitos acontecimentos surgiram que influenciaram nesse senário geopolítico, os quais se destacam o tratado de El Pardo em 1761, a obrigação de Espanha e Portugal participarem em lados opostos da Guerra dos Sete Anos, o Tratado de Paris, em 1763, a segunda invasão espanhola em 1773 ao Rio Grande do Sul. Lembrando que esses fatos ocorreram antes da incorporação da região em 1801. O autor da tese foca ainda que a segunda invasão espanhola controlasse cerca de 2/3 do território do Rio Grande do Sul, deixando o que restava aos portugueses, confinado entre São José do Norte e Viamão e ao norte do Rio Jacuí até Rio Pardo.
A reconquista portuguesa por todo o território rio-grandense foi seguida pela conquista da Espanha a ilha de Santa Catarina e a Colônia de Sacramento em 1777. Para se evitar uma maior invasão espanhola ao território do Rio Grande do Sul, foi realizado o Tratado de Santo Ildefonso. Esse tratado impôs a Coroa Portuguesa, duras condições e fez com que Portugal trocasse a Ilha de Santa Catarina, pelos Sete Povos das Missões , a ilha de Fernando Pó, no Golfo da Guiné e a Colônia de Sacramento. A partir desse ponto, percebe-se que o plano geopolítico do Magnus Brasil, tinha retrocedido territorialmente.
Muradás vai fundo na pesquisa e destaca outro ponto importante em sua tese que é a consolidação das distribuições das sesmarias. Com o início da atividade charqueadora, os espaços das fronteiras foram se consolidado, tornando também os sesmeiros atores importantes no processo geopolítico de alargamento e ocupação das fronteiras, chegando em 1810 no margens do Rio Quaraí. Os acontecimentos anteriores desta também merecem destaque dentro do contexto histórico e se destacam como o tratado de Badajoz que fez com que não fosse determinada a restituição dos Sete Povos das Missões a Espanha, assim como outras áreas conquistadas.
Com a chegada de D. João ao Brasil, as decisões passaram a ter mais agilidade e defesa, pois com D. João todo o aparato do Estado veio junto o que reforçou a unidade territorial. Porém, a chegada de D. João não impediu de acontecerem outros fatos que entraram para a história como o envio de uma expedição ao Prata, o penetramento de D. Diogo no território oriental em Julho 1811, a incorporação das forças armadas no território de Entre Rios  no atual Rio Grande do Sul esse último por sua vez foi muito importante pois, estava conquistada a parte que faltava do território do Rio Grande do Sul. No entanto, muitos acontecimentos surgiram dentre eles as três invasões pelos adversários na capitania do Rio Grande.
O autor da tese relata ainda que, entre a chegada da família real ao Brasil até a independência de Portugal que levou cerca de 16 anos, não se obteve paz nas regiões de fronteiras. Os portugueses tinham um grande sonho de estender seu Reino até o Prata. Portanto, segundo Muradás ,nesse período a exploração da pecuária foi determinante na fixação de objetos geopolíticos que influíram na organização do espaço do sul do Brasil.
Jones Muradás procura deixar claro que os fatores culturais foram determinantes no processo de independência uruguaio, fazendo com que o Rio Grande do Sul tomasse praticamente as suas formas territoriais  e recebia a companhia de outra Província, A Cisplatina, de domínio luso-brasileiro lindeira ao Prata completando o Magnus Brasil.
Após a independência do Brasil D. Pedro transformou-se em denominador causando o rompimento com os liberais afetando as relações com o exército, esse desafeto com o exército fez com que D. Pedro organizasse uma força militar com mercenários o que de fato desmobilizou todo o exército e consequentemente a perda imediata da Província Cisplatina, fazendo com que enfim, o Brasil reconhece-se a independência do Uruguai.
Na visão geral de Muradás a partir do momento do reconhecimento da independência do Uruguai o território do Rio Grande do Sul evoluiu de forma ampla, pois, a imigração estrangeira ao Rio Grande do Sul no período imperial, foi muito importante, pois povoou e fixou o homem á terra, ocupando verdadeiramente, o espaço. Mais a frente se destaca a guerra dos Farrapos que fixou a ocupação do espaço nas fronteiras.
No tratado de Limites de 1850, entre Brasil e Uruguai, o Império brasileiro ganhava terras em relação ao tratado de 1821 que estabeleceu a província a Província Cisplatina, ou seja, as nascentes do Rio Negro e do Piraí.
Mesmo após tudo parecer demarcado e definido o Rio Grande do Sul continuava a sofrer fatos históricos, desta vez, Muradás nos fala da invasão paraguaia, o objetivo da mesma segundo o autor, era provocar a expansão territorial do Paraguai, neste caso, porém houve a defesa do território e a expulsão do inimigo do território rio-grandense.
Os últimos acontecimentos para finalizar as demarcações do atual território rio-grandense se destacam quando o Brasil ofereceu, unilateralmente, ao Uruguai a retificação do Tratado de Limites de 1851. Para o Rio Grande do Sul tal retificação trouxe pouca alteração ao território, pois dividiu com o Uruguai a Lagoa Mirim e o rio Jaguarão. Portanto, a partir desse fato, mais precisamente depois de 1909 o atual território do Rio Grande do Sul conclui sua formação territorial.
Portanto Jonas Muradás conclui em sua tese que Portugal conquistou de forma definitiva o território rio-grandense usando estratégias geopolíticas em todo o processo de territorialização, colocando de fato a diplomacia portuguesa sempre a frente da espanhola. Segundo o autor apenas os Bandeirantes não tiveram uma ação geopolítica no cenário do sul do Brasil, mas levaram o mérito por despovoar, e desocupar o espaço para futuras incursões de conquista dos portugueses. A partir daí entrou em cena o tropeiro, que provocou o alargamento de fronteiras devido ao seu trabalho de condução de tropas e mercadorias, realizando assim automaticamente um processo de ocupação territorial com o surgimento de povoações nos locais de pouso.
Dando continuidade a conclusão do autor, são abordadas as concessões de sesmarias que ainda no século XVIII consolidaram a ocupação do território que, se liga mais a frente com a migração e fixação do elemento açoriano, alemão e italiano que somado ao contrabando veio a fortalecer os objetivos portugueses de cenário de povoamento do atual território do sul. Todos esses pontos foram grandes estratégias geopolíticas que Portugal usufruiu para consolidar o território sul brasileiro e, tudo isso só não foi mais amplo, porque dentro desse contexto, os jesuítas foram um fator importuno, pois, se não fossem os mesmos as fronteiras do Brasil estariam mais distantes, fixadas no Prata, ou seja, o Brasil estaria ocupando todo o território do Uruguai, reforçando a ideia que a ocupação do espaço sul do Brasil se deu e por grandes ações geopolíticas com base na doutrina Geopolítica do Magnus Brasil.

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