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Sou simples, honesto, sincero, dedicado, carinhoso, compreensível e de muita fé em DEUS. Sou católico, Professor formado em Educação Infantil, pelo curso de formação de docentes do C.E.P.E.M (Colégio Estadual Padre Eduardo Michelis) de Missal - PR, formado em Geografia (licenciatura) pela UNIGUAÇU – FAESI, e cursando atualmente Pós - Graduação em Educação Especial e Inclusiva.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Geoprocessamento a serviço da Gestão Municipal



Veja por que o geoprocessamento está sendo considerada uma verdadeira vedete em muitas prefeituras brasileiras.

        Técnica relativamente recente no País e no mundo, sobretudo no que tange à possibilidade de execução de análises espaciais automatizadas, o geoprocessamento evoluiu com o avanço tecnológico da informática e gradativamente insere-se no universo das prefeituras, assim como ocorreu com a implantação dos microcomputadores.
         A conquista de adeptos tem acontecido rapidamente. Isso porque o geoprocessamento pode ser aplicado a diversos temas nas prefeituras, sempre com o mesmo objetivo: o apoio à gestão municipal. Como a natureza de atuação de uma prefeitura é essencialmente ampla, a aplicação do geoprocessamento segue a mesma regra, podendo servir como suporte a uma série de atividades como o controle de zoonoses , a definição de número de vagas de uma escola ou mesmo a análise do melhor roteiro para atender a uma situação de emergência. A dinâmica muito ativa nas cidades, especialmente naqueles núcleos urbanos mais densos e complexos, também está na mira dos projetos de geoprocessamento, que oferecem instrumental para acompanhar as alterações do meio. Há uma lista infinita de temas discutíveis, além de técnicas específicas para o atendimento de cada uma das necessidades de aplicação do geoprocessamento num município.
         A oferta de um sistema com grande capacidade de armazenamento e gerenciamento de dados é extremamente importante para gestores municipais. E, embora o cadastramento de imóveis venha, tradicionalmente, nas prefeituras brasileiras, ocorrendo apenas com o objetivo de aplicar taxas urbanas e rurais, a modernização do instrumental de trabalho e a municipalização de uma série de serviços oferecidos pelo Estado trouxeram à tona a necessidade de implantação de um cadastro único, por meio do qual todos os setores de uma prefeitura possam atuar. Este cadastro deveria estar preparado e devidamente atualizado para oferecer respostas a questões como:

• Quantas pessoas moram na Rua X, número 100?
• Esta família tem algum deficiente?
• Existe algum idoso que seja atendido pelo sistema de saúde municipal?
• Qual foi o último atendimento de saúde oferecido a algum morador deste endereço?
• Há algum atendimento de saúde agendado para este endereço? Qual e quando?
• Este imóvel foi vistoriado pela equipe de controle de zoonoses? Quando?
• Há algum animal de estimação nesta residência?
• Há crianças na escola e qual a faixa etária destas crianças?
• Esta residência tem quantos metros quadrados construídos?
• Qual o zoneamento do lote? Qual o tamanho deste lote?
• Esta família está inscrita em algum programa habitacional?
• Qual a atividade exercida pelas pessoas da família? Qual a renda familiar?
• Esta família está inscrita em algum programa de bolsa para incremento da renda?
• Qual o valor do IPTU cobrado?
• Este imóvel tem dívida na prefeitura?
• Este imóvel tem registro no Cartório de Registro de Imóveis?
• Quem é o proprietário do imóvel?

            Apesar de parecerem questões fáceis para uma prefeitura, nem sempre é simples obter as respostas requeridas. Isso ocorre porque os cadastros são corriqueiramente individualizados por temas.
           Assim, cada secretaria municipal possui seu próprio cadastro, com diferentes níveis de atualização e de complexidade e também com diferentes dados. Isso demanda buscas sequenciais em cadastros que não possuem conexão alguma. Esta falta de conectividade e a burocracia inerente à máquina municipal prejudicam a velocidade de resposta a estas questões e a tantas outras – muito importantes para a agilidade e tomada de decisão e que deveriam ser rapidamente respondidas por qualquer técnico servidor público.
Porém, mais complicado ainda seria encontrar respostas para as seguintes perguntas:

A dinâmica muito ativa nas cidades, especialmente naqueles núcleos urbanos mais densos e complexos, também está na mira dos projetos de geoprocessamento, que oferecem instrumental para acompanhar as alterações do meio. Há uma lista infinita de temas discutíveis além de técnicas específicas para o atendimento de cada uma das necessidades de aplicação do geoprocessamento num município.
• Qual a escola mais próxima da rua X, número 100?
• As crianças que vivem neste endereço estão realmente frequentando a escola mais próxima? Se não, por que estudam longe de casa?
• Qual o hospital mais próximo deste endereço? E o posto de saúde?
• O posto de saúde mais próximo atende às necessidades desta família?
• A região de entorno deste endereço tem bom índice de empregabilidade ou as pessoas precisam se deslocar para outras regiões para encontrar emprego?
• Há desempregados na família? E deficientes?
• Quais as linhas de ônibus que as levam para seus trabalhos? Quantos ônibus circulam diariamente nestas linhas?
• Qual a qualidade ambiental do bairro?
• Este imóvel está em área de risco de escorregamento ou de alagamento?
• Em que porção do município este imóvel está localizado?
•Há padarias, supermercados e farmácias perto desta casa?
• Quem são os vizinhos do número 100?

         Muitas outras perguntas como estas ainda poderiam ser feitas. Todas voltadas para localização do imóvel citado em relação aos demais serviços e imóveis. São perguntas que também fazem parte do dia a dia de trabalho numa prefeitura, mas que dificilmente poderiam ser respondidas com o uso de cadastros alfanuméricos sem representação espacial. Assim, estas perguntas poderiam ser respondidas por meio de um cadastro multifinalitário computacional, ferramenta do geoprocessamento. Ou seja, sua capacidade de armazenamento e gerenciamento de dados, associada ao posicionamento dos objetos que representa, é importante instrumento para gestores municipais. Desse modo, por meio dessa técnica surge “o sol, entre as trevas ” (“a solução, entre tantas perguntas”). Ao geoprocessamento são atribuídas as responsabilidades de solucionar as questões anteriormente colocadas, entre muitas outras que serão feitas.
         O geoprocessamento também pode ser utilizado como porta de comunicação direta com os munícipes que procuram atendimento nas prefeituras. Com alguns toques e digitação, por exemplo, um servidor público, perguntado sobre em qual escola uma moradora deve matricular seu filho, terá uma resposta concisa e suficientemente clara a oferecer, baseada em dados reais; além de outras orientações que a munícipe pode nem mesmo estar requisitando, mas que lhes sejam úteis. Na tela do computador, o servidor público atendente procura o endereço da moradora e por análise de proximidade detecta a escola a indicar, avaliando em seguida a existência de vagas disponíveis para matrícula e a oferta de transporte público disponível para o trajeto, caso não haja transporte escolar. Nessa mesma tela o atendente terá condições de observar ainda qual a situação de atendimento de saúde oferecido à família, por exemplo.
            Técnica essencialmente multidisciplinar, o geoprocessamento necessita de uma série bem variada de profissionais. Contudo, é importante lembrar que a técnica exige treinamento específico para que sejam observadas as regras construtivas dos bancos de dados e da representação espacial, a fim de garantir a eficácia do sistema como um todo. A geração de mapas também deve respeitar as regras da cartografia sistemática e temática, que não podem ser esquecidas nunca.
            Todos esses elementos fazem da atuação no geoprocessamento municipal, um campo muito fértil para o geógrafo profissional, cuja formação é permeada pelo conhecimento das técnicas de cartografia, de planejamento e de análises socioeconômica e ambiental, entre outras. Hoje em dia, muitos geógrafos já atuam neste ramo e a potencialidade do mercado de trabalho, para quem se interessar por esta tecnologia, é cada vez maior, principalmente porque se trata de um universo de mais de 5.000 municípios no país.
            Todos esses elementos fazem da atuação no Geoprocessamento Municipal, um campo muito fértil para o profissional de geografia, cuja formação é permeada pelo conhecimento das técnicas de cartografia, de planejamento e de análises sócio- econômica e ambiental, entre outras. Hoje em dia, muitos geógrafos já atuam neste ramo e a potencialidade deste mercado de trabalho, para quem se interessar por esta tecnologia, é cada vez maior.

Fonte:
*Jorge Raffo é professor do Departamento de Geografia – FFLCH – USP. Contato: jgraffo@usp.br **Luciana Dias do Nascimento é geógrafa e Ms.c em Geografia Física pela USP. Atua em geoprocessamento destinado ao cadastro municipal. Contato: luciana_nascimento@yahoo.com

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