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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Trabalho Sobre a Economia Senhorial Século XI A XIII


UNIGUAÇU – UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DO IGUAÇU LTDA.
FAESI – FACULDADE DE ENSINO SUPERIO DE SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
ISE – INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO
CURSO DE GEOGRAFIA TERCEIRO PERIODO
Geografia Econômica


TRABALHO SOBRE A ECONOMIA SENHORIAL
SÉCULO XI A XIII


Trabalho apresentado à disciplina de Geografia Econômica da Faculdade de Ensino Superior de São Miguel do Iguaçu, sob orientação da Professora Julia Brandão Kashiwagura.


ANDERSON JOSÉ BENDER
ELIANE REICHERT





SÃO MIGUEL DO IGUAÇU
2011



A economia senhorial (Séculos XI-XIII)
Por volta do século XI, uma nova Europa emerge das ruínas de centralização econômico-administrativa. Marcada pelo apogeu da formação social funcional, ela empreende uma notável expansão geográfica, ao norte alcança a Inglaterra; ao sul, a Itália meridional e a Sicília, a Palestina e partes da Síria; a oeste, a Espanha central; e a leste, a planície centro-européia.
Essa expansão foi possibilitada pelas transformações na técnica agrícola, aliadas a uma lenta suavização do clima europeu a partir do ano mil, o que permitiu o cultivo em regiões antes impróprias. Essas transformações possibilitaram um constante crescimento da população européia, levando-a de 42 milhões de habitantes no ano 1000, a 61 milhões em 1200, e a 73 milhões em 1300. Também denominado de “Revolução Demográfica” esse constante crescimento da população européia permitiu a cristalização e a expansão do sistema econômico, por outro, levou à suavização das formas de compulsão do trabalho.
A escravidão praticamente desaparece os senhores deixam de basear sua extração de excedente econômico no trabalho não-remunerado e obrigatório, que o camponês prestava não que o camponês deixasse de ter obrigações com seu senhor, mas sim, os resultados do trabalho do camponês passaram a ser apropriados pelos senhores e não mais pelo o próprio trabalho.
Essa mudança de excedente econômico, só pode ser compreendida dentro de um contexto de desenvolvimento da economia. No entanto, se por um lado ela permitiu que o sistema econômico funcional se alargasse no limite, por outro ela acabou por fazer aflorar a contradição interna, que levou à desagregação do sistema funcional, ou seja: o camponês resgata suas obrigações servis, e torna-se mão-de-obra não dependente, desmontando toda a funcionalidade do sistema.
Nessa economia senhorial, pode se identificar dois tipos básicos de senhorios: o fundiário e o banal. O primeiro, herdeiro direto dos domínios, dividia-se entre a reserva senhorial e as parcelas ocupadas pelos camponeses. As parcelas de produção dos mansos eram muitas vezes mais importantes que o trabalho obrigatório dos camponeses na reserva senhorial, que passou a ser exigido somente em casos específicos. Essa dependência, fez com que a reserva senhorial, fosse sendo reduzida em extensão, subdividida em lotes e entregues a camponeses, em troca de quantias fixas em dinheiro. Paralelamente a isso, a pressão demográfica fez com que os mansos tradicionais perdessem sua característica de unidade de produção familial, sendo subdivididos em duas e até mesmo em quatro partes, para acomodar o aumento da população.
No entanto se entende que enquanto o senhorio fundiário tendeu a se concentrar nas áreas do antigo Império Carolíngio, o senhor banal, estendeu-se a toda Europa Ocidental, alcançando os Estados cristãos no Oriente próximo, em virtude das Cruzadas, caracterizando-a, sistema econômico funcional.
Sua origem está no poder de ban, onde o senhor possuía sobre determinado território o direito de ordenar, tributar, julgar e punir. Com a falência da administração no século X, os senhores mais poderosos substituíram o Estado, assegurando proteção às populações ameaçadas, ampliando o direito de ban. O resultado foi à constituição de vastas áreas, sob a jurisdição de aristocratas locais, que tinham poderes políticos, militares e econômicos.
Englobando vários senhorios fundiários, o senhorio banal foi a forma padrão de expansão do sistema funcional, acentuando pelo seu lado econômico. Na verdade o que se pretendia eram os frutos do trabalho camponês, e não o próprio trabalho, ou seja, valorizavam o produto e não a mão de obra.
A maior parte dos recursos da economia senhorial passou a ser obtida pelas cargas impostas a todos os habitantes do senhoril banal. Algo como 50% do total da produção era apropriado pelos senhores, na forma de tributo: como taxas sobre transações comerciais, taxas arbitrárias sobre a produção, taxas sobre a utilização de fornos, ate a taxa de cobrança sobre os servos.
Alem desses encargos aos senhores banais, os camponeses dependentes deviam entregar anualmente à Igreja 10% de sua produção agrícola (dizimo), como forma de indenizar a Igreja pela perda de propriedades fundiárias entregues a vassalos. O dizimo na passagem do século X para XI, estende-se por toda a Europa.
O campesinato dependente embora pesadamente onerado por um sistema que muitas vezes o sujeitava a uma tripla tributação, e preso a um método de produção pouco desenvolvido, pôde no decorrer do período, alcançar uma melhoria em suas condições materiais. Isso devemos a dois fatores: os encargos tenderam a se transformar em parcelas fixas e o desequilíbrio entre a oferta e a demanda dos produtos agrícolas.
Os encargos impostos baseavam-se em antigos costumes e durante um período de expansão geográfica, qualquer pressão senhorial provocava a inevitável evasão para as novas áreas, assim para impedir uma evasão maciça e freqüente, os encargos senhoriais foram aliviados e tornados fixos.
A combinação entre crescimento demográfico contínuo e baixa produtividade agrícola, provocou uma demanda de gêneros alimentícios que a oferta global não conseguia suprir, resultando em um crescente aumento dos preços dos produtos agrícolas, o que permitiu ao camponês dependente comercializar lucrativamente parte de sua produção, principalmente depois que os encargos senhoriais, tenderam a ser fixos. Penalizados em anos de más colheitas, o camponês conseguia, nos anos de colheitas regulares ou abundantes, acumularem reservas monetárias que usavam para resgatar sua condição servil.
Em algumas regiões como na Inglaterra e norte da Itália os pagamentos em dinheiro foram substituídos por prestações em espécie, com os senhores querendo se beneficiar. A norma geral nos séculos XII e XIII foi a comutação da condição servil em troca de pagamentos em dinheiro. Esta crescente possibilidade de os camponeses comercializarem sua produção agrícola foi resultado do crescimento demográfico que, foi viabilizado pelas transformações na técnica agrícola nos séculos IX e X. As únicas formas de aumento do volume da produção global são a ampliação do espaço físico da área produtora.
Essa expansão necessária, se por um lado ampliou em muito à economia senhorial, por outro, acabou por destruir a noção de funcionalidade econômica que dava coerência a todo o sistema, permitindo a emancipação do trabalhador através, de uma economia comercial e muito monetarizada, pelo trabalho livre e assalariado.





Referencias:

REZENDE, Cyro. História Econômica Geral. 7ª Edição. São Paulo. Editora Contexto, 2003. Paginas 56 a 60.

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